09 de julho de 2026
Articulistas

O pai dos sanguessugas


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O Partido dos Trabalhadores foi construído por um grupo de pessoas que se dizia contrária à existência do Estado burguês. Nos heróicos tempos do proselitismo oposicionista, os petistas argumentavam que o Estado é um instrumento - da elite burguesa - utilizado para gerenciar o domínio sobre os demais grupos sociais. A conseqüência lógica deste raciocínio é estigmatizar os partidos políticos “burgueses” como máfias incapazes de pautar suas atividades fora da busca pelo lucro econômico fácil e espoliativo. Nas eleições presidenciais de 2002, o eleitor brasileiro considerou que era tempo de se ter um presidente com maior sensibilidade para as questões sociais. Votou em Lula da Silva, por considerar que o ex-sindicalista era uma pessoa preocupada em melhorar a vida dos brasileiros humildes. O PT tirou dos resultados eleitorais uma conclusão equivocada: achou que o eleitorado tinha se pronunciado contra o Estado burguês.

A montagem de governo, baseada na premissa equivocada, organizou-se em torno das lideranças burocráticas petistas, recheada por políticos aliados derrotados nas eleições governamentais e legislativas, ocorridas ao mesmo tempo em que se escolhia o novo presidente da República. Desconsiderou-se a conjuntura política, pois 80% da população estava sob administração de governadores oposicionistas e o Congresso apresentava uma composição partidária em que os partidos tradicionais tinham 70% das cadeiras de deputados e quase 80% das cadeiras do Senado. A incapacidade petista de construir alianças políticas com os partidos tradicionais foi mascarada por meio da compra dos votos congressuais necessários para a aprovação dos projetos e orçamentos do executivo federal. Assim surgiram os “mensalões” e as emendas orçamentárias maculadas pelo desvio de recursos para interesses pessoais. Não há como escapar à constatação de que o governo Lula da Silva é o pai das máfias de sanguessugas. Talvez Lula da Silva, no momento em que foi eleito, tivesse a intenção de ajudar as classes populares a melhorar de vida. Talvez. Mas o presidente da República não tem preparo para transformar intenção em projetos e está cercado de intelectuais e políticos que não têm o menor interesse em diversificar a economia interna, nem de elevar os níveis técnicos e culturais da população. A cleptarquia petista sabe que a imensa miséria popular é lucrativa do ponto de vista dos interesses da burocracia administrativa, e que políticas assistencialistas são justificadoras para o saque realizado contra as classes médias e os empresários industriais e rurais. O capital gerado pelo trabalho de nosso operoso povo, uma vez deduzida a parte do leão que se dirige aos banqueiros e a alguns barões da mídia, não gera, no Brasil, um processo análogo ao ocorrido na Europa, para lançar as bases do desenvolvimento industrial, mas se desvia para a construção de palacetes, à compra de aviões, jóias, roupas e automóveis de luxo, à manutenção de numerosos serviçais e ao desperdício em festas, prostíbulos e restaurantes. Tudo usufruído por um governante inepto, por uma camarilha burocrática de mentalidade pirata e por uma centena de deputados venais. Uma fauna de hospício, que precisa ser escorraçada nas próximas eleições.

O autor, Ney Vilela, é coordenador regional do Instituto Teotônio Vilela