09 de julho de 2026
Articulistas

Genocídio novamente no Líbano


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É desolador o clima no conflito árabe-israelense. A cada dia, novas e devastadoras noticias nos dão conta da guerra de extermínio que a mortífera maquina bélica de Israel, sob o patrocínio escandaloso dos seus maiores fornecedores de armas, promove no Oriente Médio, de modo especial por George Busch e Tony Blair, da Inglaterra. Ambos, sob o manto da indiferença das grandes potencias, promovem essa sangrenta batalha travada entre a resistência (agora denominados de terroristas) pela mídia controlada por uns e outros em todo o mundo, e a minguada, senão inexistente, capacidade bélica dos árabes. Um país livre, de cultura milenar, povo democrata por excelência, cuja população tem expressiva presença cristã, vive pela segunda vez sua destruição pelo poder de Israel. Mais ainda, não contente em expulsar de suas terras os legítimos proprietários desde que o mundo é mundo, torna impossível o fato de palestinos expropriados terem ao menos uma área destinada a se constituir em Estado independente, capaz de portar uma Constituição, de viver conforme seus desígnios .

Israel, por uma medida do Conselho de Segurança da ONU (diga-se Osvaldo Aranha em 1948), obteve a benesse de ali se instalar, vindos de todas as partes do mundo, para se constituir num promissor país de relevância nos quesitos tecnologia e desenvolvimento, associando um incomparável poder bélico patrocinado e fornecido pelas potências acima assinaladas . Israel tem uma grande parcela da população que almeja firmemente a paz. Do lado árabe, com certeza, o mesmo acontece. Em nosso país, não assinalamos nenhum problema nesse amistoso relacionamento. Infelizmente, ambos contam com milícias extremamente fundamentalistas, doentias, portadoras de vingança permanente em seus corações, insuflados por líderes portadores com certeza de patologias bem definidas, difíceis de serem catalogadas neste elenco de deformações da personalidade. Tiranos, ditadores sangrentos, populações oprimidas, é o retrato desse panorama de sangue e incertezas que domina as populações desses países. Sou filho de pais libaneses, como é sabido. Ambos emigraram ainda no século 19, com tenras idades, a pedidos de meus avós, que não suportaram a presença do domínio turco sobre a região, em que a perseguição religiosa e preconceito contra os cristãos pelo império otomano era de tal forma que outro caminho não restava. E quase certo que a imigração nesse período de milhares de libaneses para os diferentes países, inclusive o Brasil, deu-se por este motivo. Hoje, chocado, vejo a destruição do Líbano e, de modo especial, da cidade natal de minha saudosa mãe, Tiro (SUR), na fronteira com Israel ser totalmente destruída pelos petardos desta máquina de sangue.

Mais grave, crianças bem jovens ainda, mais de cinqüenta, num único ataque foram trucidadas a sangue frio por militares israelenses que, com certeza, o fazem a mando desse primeiro ministro insensível e intocável por seus patrocinadores e por essa enviada especial dos Estados Unidos, Condolezza Rice. Esta ainda tem o desplante de posar para o mundo num recital de piano, como se aquele povo estivesse interessado em ouvi-la , numa demonstração de desprezo para com a vida alheia de centenas de libaneses dizimados por seu parceiro preferido.

Missão de Paz? Desde quando essa senhora se propõe a definir o destino e os direitos daqueles povos adotando uma postura de conciliadora, quando na verdade tem posição firmada e declarada contra o mundo árabe. E o governo brasileiro, cujo supremo mandatário acabou fazendo o maior périplo por toda a África, fazendo concessões incríveis a devedores importantes na busca por uma vaga nesse Conselho de Segurança da ONU, que outra coisa não tem feito senão ficar submetido à vontade e desejos de seus maiores tutores, Estados Unidos e Inglaterra? Quando uma resolução sua foi acatada? E o Brasil, não se manifesta?

O autor, Abrahim Dabus, é médico, ex-deputado estadual