09 de julho de 2026
Nacional

CPI investigará relação do governo com sanguessugas

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A CPI dos Sanguessugas vai investigar o suposto envolvimento do Executivo no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas. A decisão de antecipar a investigação deverá acirrar a luta política entre governistas e oposicionistas na comissão.

Uma sub-relatoria deve investigar a atuação da máfia dos sanguessugas nos ministérios da Saúde, das Comunicações e da Ciência e Tecnologia. “Num primeiro momento, a comissão havia decidido que a investigação do Executivo se daria numa segunda fase. Mas acho melhor, para o próprio andamento da CPI, a gente começar a investigar a partir de agora. Por isso vou indicar os sub-relatores”, disse ontem o senador Amir Lando (PMDB-RO).

Alguns membros da CPI, ligados à oposição, vinham cobrando de Lando o início imediato da investigação do Executivo. Reservadamente, diziam que o relator poderia estar trabalhando a favor do governo. Chegou a circular a informação, não confirmada, de que ele poderia estar negociando cargos no governo. “Isso só pode sair de uma mente doente”, disse ontem Lando, ao se defender das insinuações de que estaria auxiliando o governo na CPI.

Caso a comissão realmente opte por iniciar já essa etapa, podem entrar na mira da CPI os ex-ministros Humberto Costa (PT-PE) e Saraiva Felipe (PMDB-MG), ambos da gestão Luiz Inácio Lula da Silva, e José Serra, da era tucana de Fernando Henrique Cardoso. Responsabilidades Na semana passada, o Planalto escalou a Controladoria Geral da União (CGU), o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, para rebater as acusações da oposição de que o esquema dos sanguessugas teria começado no governo de Lula.

Segundo a versão do governo, foi graças às iniciativas da própria CGU e da PF que o esquema foi descoberto e a quadrilha desbaratada. De acordo com as investigações, deputados e senadores destinavam, desde 2001, verbas da União para que prefeituras comprassem ambulâncias e equipamentos hospitalares superfaturados da Planam, empresa controlada pela família Vedoin.

Ex-ministros

Amir Lando afirmou que os ex-ministros citados por Luiz Antônio Vedoin em seu depoimento à Justiça Federal podem ser chamados para depor. Também será levado em consideração o período em que a máfia das ambulâncias atuou. Uma parte dos governistas defende a convocação do ex-ministro José Serra, atual candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB.

O tucano ocupou o Ministério da Saúde entre março de 1998 e fevereiro de 2002. À época, Serra deixou a pasta para ser candidato à Presidência da República.

Ontem, Felipe disse que não via razão para depor, mas que o faria se fosse necessário.