08 de julho de 2026
Articulistas

Bauru e o sonho


| Tempo de leitura: 3 min

Estudo recente do Banco Mundial (Bird) prevê que, nos próximos 25 anos, o crescimento mundial deve dobrar. Isto significa que os atuais US$ 35 trilhões movimentados no mundo anualmente devem crescer para U$ 70 trilhões no próximo quarto de século. Otimista, a previsão é uma boa notícia para os países emergentes, que, de acordo com o mencionado trabalho, devem aumentar sua participação na economia mundial dos atuais 23% para 32%. Claro que países como a China e a Índia, que saíram na frente, serão, em grande parte, responsáveis por este crescimento. Mas o Brasil, que até aqui vem apresentando um crescimento anual de seu Produto Interno Bruto (PIB) muito aquém de suas reais possibilidades, tem tudo para sair do atual marasmo e registrar daqui para frente resultados bem mais alentadores.

Faço essas reflexões pensando muito no potencial de desenvolvimento de um centro regional paulista como é Bauru, que está completando 110 anos neste mês de agosto. Bauru, como todos sabem, é a cidade em que nasceu um visionário, que transformou um sonho em realidade: o tenente-coronel Marcos Pontes - o primeiro brasileiro a realizar um vôo ao espaço. Desde que assumi a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tenho desenvolvido uma gestão cuja prioridade é contribuir para o desenvolvimento da indústria, não apenas em todo o Estado como, também, no Brasil. Nosso primeiro desafio, meu e dos companheiros de diretoria, foi redimensionar a Fiesp: da entidade da av. Paulista, na Capital, para uma entidade paulista com importância nacional, nossa autoridade produtiva passou a ser reconhecida. Neste contexto é que vejo a previsão do Bird como uma excelente notícia para Bauru. Em primeiro lugar, a cidade, com seus mais de 350 mil habitantes, é o maior município e o principal centro econômico de toda a região Centro Paulista. Seu setor industrial abriga indústrias de transformação, metalmecânica e alimentícias. Além disso, Bauru se transformou ao longo dos anos num centro de excelência de educação, abrigando, entre outras instituições, um câmpus da Universidade de São Paulo (USP), onde funciona aquela que é considerada a melhor Faculdade de Odontologia do País e a terceira do mundo; a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Paulista (Unip), a Universidade do Sagrado Coração (USC), a Instituição Toledo de Ensino (ITE), o Instituto de Ensino Superior de Bauru (IESB), as Faculdades Integradas de Bauru (FIB) e a Faculdades Fênix. Só essas instituições já seriam suficientes para demonstrar a grande excelência educacional que Bauru conquistou. Mas há outro dado que garante a Bauru o direito de sonhar com um futuro ainda melhor - sua aposta na educação de base.

Entre os últimos dados oficiais - o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), principal indicador instituído pelas Nações Unidas para medir o potencial de desenvolvimento social e econômico de países, regiões e cidades do mundo -, coloca Bauru com a taxa de 0,908 no que se refere à educação. Como é sabido, quanto mais próximo de 1 estiver o IDH, melhor a condição do país, região ou município no item pesquisado. Poderia aqui enumerar outras e variadas razões que me dão a certeza do potencial econômico e social de Bauru. Prefiro, no entanto, reafirmar que esse município tem a peculiaridade de se fazer conhecido no mundo. E não me refiro somente ao feito do primeiro astronauta brasileiro, filho da cidade.

É preciso fazer justiça: muito antes de Marcos Pontes, Bauru foi berço de inúmeros brasileiros ilustres, que também enalteceram o nome da cidade. Quero aqui homenageá-los, todos, de maneira bem humorada, na figura de um personagem popular que, sem dúvida, contribuiu para que a cidade ficasse ainda mais conhecida: trata-se de “Zé do Skinão”, que criou o famoso (e delicioso) sanduíche, consagrado como “Bauru”. Parabéns a Bauru pelos seus 110 anos de prosperidade!

O autor, Paulo Skaf, é presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp