Brasília - Para tentar neutralizar o apoio do ex-presidente Itamar Franco ao candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, a coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou que o vice, José Alencar, viaje mais para Minas Gerais. Em reunião anteontem à noite, ficou decidido que Lula e Alencar irão se dividir durante a campanha. A missão de Alencar é usar seu prestígio para agregar votos em Minas, já o presidente terá como alvos São Paulo e Rio de Janeiro.
A coordenação da campanha de Lula concluiu que o candidato do PT ao governo de Minas, Nilmário Miranda, não decolou nas pesquisas e que é preciso um reforço para evitar que Lula perca votos no Estado. A avaliação é que o vice-presidente tem prestígio e por isso a ordem é que ele direcione sua agenda para o Estado. Como faltam apenas nove finais de semana para as eleições, a coordenação decidiu priorizar além de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
Os Estados da região Sul não estão nesse roteiro, porque a viagem do presidente para Santa Catarina e o Rio Grande do Sul neste final de semana foi considerada positiva. Em São Paulo, Lula conta com a vantagem do senador Eduardo Suplicy (PT), candidato à reeleição, nas pesquisas.
O candidato ao governo, Aloizio Mercadante (PT), embora com menor índice, também é considerado um bom cabo eleitoral, além da estrutura que o PT tem em São Paulo. No Rio, pesquisas internas do PT indicam que o candidato Geraldo Alckmin não tem penetração. Segundo apurou a reportagem, o eleitorado fluminense consideraria Alckmin como paulista demais.
Base aliada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um novo desabafo anteontem na reunião da coordenação da sua campanha à reeleição. Disse que está preocupado com o desempenho da sua base de apoio no Congresso. O presidente citou a disputa política em torno da medida provisória que reajusta o salário dos aposentados do INSS como exemplo do que não deveria ter ocorrido. As denúncias que atingem os aliados também preocupam o presidente.
A maioria dos acusados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas é de partidos da base.
Votações
Com relação às votações, o presidente ponderou que os aliados tinham obrigação de ter evitado a vitória da oposição na MP do salário mínimo, o que abriu caminho para que eles desgastassem o governo novamente agora na MP dos aposentados.
Apesar de serem minoria na Câmara, os partidos de oposição conseguiram incluir na medida provisória do mínimo um reajuste de 16,67% para os aposentados. A MP acabou aprovada e Lula com o desgaste de ter que vetar o aumento. Agora, a oposição faz uma nova tentativa de incluir o reajuste na MP dos aposentados.