Botas de borracha em dias de chuva. Com o clima seco, qualquer acessório que proteja o nariz da poeira é bem-vindo. Moradores da rua Henrique Hunziquer, no Conjunto Habitacional Primavera, ao lado do Jardim Redentor, em Bauru, já se habituaram a sair de casa “equipados” porque boa parte da rua não tem asfalto. E a instalação de galerias pluviais, que começaram a ser colocadas, não foi concluída.
Por conta disso, trafegar de carro e até andar a pé em dias de chuva na rua Henrique Hunziquer não é fácil. Muitos moradores do bairro não conseguem evitar que os pés fiquem sujos de lama ou que os pneus atolem no barro.
“Quando chove, pode esquecer. Não dá para tirar o carro da garagem. O jeito é sair a pé e com saco plástico no sapato para não sujar”, reclama o bancário Marcos Carvalho, 32 anos, que mora na esquina das ruas Maer Murback com a Henrique Hunziquer há 12 anos.
O técnico eletrônico Antônio Miranda, 30 anos, é outro morador do bairro que convive com o barro há mais de uma década. “Em dia de chuva, caminhão de gás não passa, nem mesmo os motoqueiros. Praticamente, ficamos isolados. Não dá para tirar o carro de casa”, acrescenta.
Segundo os moradores, é bem-vinda a instalação de galerias pluviais em toda a extensão da rua que está sem asfalto. Porém, as obras geraram outros problemas. “As próprias pessoas que moram por aqui estão jogando lixo dentro desses bueiros. Sem falar que a criançada fica entrando nessas bocas-de-lobo para brincar”, conta a costureira Angelina Pereira Cavalcante, 54 anos.
Para evitar que a prática ocorra na galeria que fica em frente à sua casa, a moradora improvisou uma grade com barras de ferro, que evita a passagem de entulhos que podem entupir a rede. “Foi a solução que eu encontrei. A prefeitura não terminou o serviço, não sei o porquê, e ainda prometeu que a rua seria asfaltada”, afirma a costureira.
“É verdade, a promessa é de que a via seria asfaltada, mas até agora, nada. Os trabalhadores disseram que não tem concreto na Prefeitura”, reitera Antônio Miranda. A preocupação de quem mora no bairro e, principalmente na Henrique Hunziquer, é de que o trabalho executado pela prefeitura seja perdido e a situação fique ainda pior.
“O dinheiro custa para chegar e, quando chega, a obra pára pela metade e o que foi feito vai embora. Queremos saber quando a prefeitura vai concluir o serviço porque faz uma semana que a obra foi interrompida”, critica Cavalcante.
De acordo com a secretária de Obras da Prefeitura de Bauru, Elaine Ortiz de Araújo, a rua será asfaltada e os serviços de construção de galerias estão em fase final de conclusão. Segundo ela, os bueiros ainda estão recebendo grades de proteção e o nível de terra de alguns deles ainda está sendo acertado.
A secretária também informou que no momento os trabalhos estão voltados para o tratamento de uma erosão na rua. “Assim que estabilizarmos essa erosão, começaremos os serviços de pavimentação. Acredito que dentro de 30 dias tudo deva estar pronto”, afirma.A obra está orçada em R$ 176 mil, incluindo os serviços de galerias, guias, sarjetas e pavimentação.
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Diversão perigosa
A tubulação de água da chuva tem sido a atração de muitas crianças no Conjunto Habitacional Primavera. Buscando diversão e aventura, elas entram nos bueiros, que ainda não foram instalados. Em grupos ou sozinhas, atravessam a rua de uma galeria à outra, sem pensar nos perigos que podem encontrar pela frente. Em muitos casos, os pais não têm conhecimento da “brincadeira” dos filhos.
“É bem escuro, não dá para enxergar nada. Às vezes, parece que não vamos conseguir encontrar a saída. Chega a faltar ar, mas no final dá tudo certo”, conta entusiasmado um garoto de 10 anos que saía ontem de um dos bueiros do local. “O único medo que tenho é o da minha mãe ficar sabendo. Se aparecer algum bicho, eu mato ele”, brincou o menino.
Conforme constatou a reportagem do Jornal da Cidade, o bairro não tem nenhuma área de lazer para as crianças, o que pode explicar o interesse dos menores em aventurar-se pela tubulação.
O coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito, admite que o problema existe. Para ele, a falta de opções de lazer no bairro e a falta de responsabilidade dos pais contribuem para que as crianças explorarem os bueiros como alternativa de diversão. “Temo que essa brincadeira possa terminar mal. Não é difícil de uma criança pisar num animal peçonhento, que é muito comum nessas tubulações, e ser atacada. Mas cabe aos pais coibirem os filhos dessa atividade. O pai tem a obrigação de saber por onde o filho anda”, ressalta.
Ainda segundo Brito, a Regional Redentor/Geisel tem feito inúmeras visitas ao bairro para orientar os moradores a evitar que as crianças continuem entrando nas bocas-de-lobo.