08 de julho de 2026
Turismo

San Isidro e Miraflores

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

Lima e São Paulo têm aspectos semelhantes. Há lugares belíssimos e outros horríveis. San Isidro e Miraflores são limpos, bonitos, organizados. Lembram os bairros chiques de qualquer cidade européia, com mansões amplas, arejadas e ajardinadas e bem cuidadas avenidas.

San Isidro concentra as “oficinas”, ou seja, os escritórios das grandes empresas e as principais redes hoteleiras e foi, no passado, o refúgio afrancesado da sociedade limenha.

É lá que fica o Bosque das Oliveiras. As árvores retorcidas, de tamanho médio, tem 500 anos e foram plantadas na área antes habitada pelo conquistador Antonio de Rivera, no ano de 1550, pelos espanhóis.

Sentar no jardim dá uma paz infinita e seus bulevares tranqüilos convidam para a prática de caminhada ou jogging.

Miraflores é neon puro. O bairro, chique, concentra também hotéis premiados, como o Meliá Lima, o Pavilhão das Bandeiras e muitos cassinos. Além de grandes magazines de roupas, eletrodomésticos, lanchonetes e casas de diversão noturna.

Miraflores é um dos distritos limenhos com maior identidade, resultado de ter nascido como um bairro de classe média. Hoje, oferece instalações cosmopolitas, como Larcomar, centro de entretenimento cercando o tradicional Parque Central.

Lima, como se vê, tem crescido e se modernizado sem deixar de lado seu passado histórico e sem temer o novo.

O Parque Central, por exemplo, passou por uma completa remodelação nos anos 80 e ganhou nova cara, atrativa.

Os limenhos dizem que Miraflores é o bairro mais elegante da cidade e que Barranco é o reduto da boemia. Lugar para se tomar vários piscos souers e a deliciosa cerveja Cusqueña. Uma garrafinha custa em torno de três soles e o pisco suer, cinco.

Embora a areia do Oceano Pacífico não seja branquinha como a do Nordeste brasileiro, não deixe de passear pelo calçadão, que é charmoso, com projeto paisagístico digno de aplauso.

É lá que fica o Parque do Amor, um mirante ajardinado com vista para o Pacífico. Casais de namorados se abraçando e beijando há aos montes, assim como as limenhas pousando com seus vestidos nupciais.

O parque conta com uma enorme escultura de um casal se abraçando e perto dele fica a Ponte dos Suspiros (já no bairro de Barranco), além de vários museus, como o Galeria de Arte Popular de Ayacucho.

Uma lenda diz que se alguém conseguir atravessar a ponte de madeira sem respirar terá um desejo atendido. Vale a pena tentar.

Barranco reúne muitas opções de lazer e é o local preferido de veraneio da aristocracia limenha, abrigando casarões, prédios de apartamento com vista para o mar, ruas estreitas, praças e a vida artística e boêmia da cidade.

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População

O fuso horário em Lima é de duas horas a menos em relação ao Brasil. Excelente para o dia render mais. O city tour oferecido pela Viajes Pacífico - Gray Line é completo. O guia dá tantas informações que não restam dúvidas.

Lima concentra, como Santiago, no Chile, a maioria da população do país. Perto de 7,5 milhões de habitantes, ou seja, mais de 25% dos mais de 27 milhões de peruanos que vivem nela e nos arredores.

A temperatura oscila entre 27 ºC no verão e 12 ºC no inverno e quase nunca chove. No inverno, apenas chuviscos e neblina, leve.

O tráfego é como o brasileiro, caótico, e a frota na maioria, velha. Destoam entre os carrões antigos os modelos europeus, caros. Os motoristas avançam o sinal, cortam a frente e fazem curvas malucas para chegar ao destino.

Os táxis, velhos, são o principal meio de transporte dos turistas. Cobram muito pouco e rodam muito. Uma corrida do Parque Central até Miraflores custa em torno de oito soles, valor que deve ser negociado antes de se entrar no veículo.

A população se locomove nos ônibus coloridos, típicos do Peru, que lembram os mexicanos, cheios de penduricalhos.

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O ceviche e os grãos

O ceviche continua sendo o prato de referência do Peru, embora a gastronomia desse país, tão próximo do Brasil, seja farta e saborosa. Trata-se de uma espécie de carpaccio de peixe, curtido no sal, na pimenta-do-reino e no limão (uma espécie de galego muito mais forte do que o brasileiro), que recebe a adição de cebola e pimenta fresca.

O prato é servido em tacinhas ou pratos pequenos e é encontrado também nas versões camarão, lula, frango, sardinha e polvo.

Segundo os chefs e donos de restaurante, como o mais que premiado Restaurant Señorio de Sulco, com vista para o Oceano Pacífico, o preparo é fácil: os filés são lavados em água salgada gelada e depois em água sem sal, processo indispensável para se eliminar toda a gosma do peixe e depois cuidadosamente secados e cortados em tiras finas e pequenas.

As tiras cortadas com faca afiadíssima são, então, colocadas nas tacinhas ou pratos de cerâmica (nunca de metal) para receberem suco de limão, sal e pimenta-do-reino. Aguarda-se uns minutos para tomar gosto e adiciona-se mais “temperos”, incluindo, então, rodelas de ají (pimenta pequena peruana) ou de pimenta-cereja, pimenta-bode ou mesmo dedo-de-moça e a cebola picada fininha. Para quem quiser, vai bem alho picadinho e caldo de uma laranja ácida por cima.

Eu, carnívora, depois do ceviche ataquei de lomo saltado (filé mignon cortado em tiras e frito com cebola e tomate - também em tiras -), acompanhado de batata frita e arroz branco. Divino.

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Catedral e as múmias

Católicos, os espanhóis se encarregaram dos templos. A Catedral de Lima é um dos exemplos. É grandiosa com portas trabalhadas de madeira e abriga os restos mortais do conquistador Francisco Pizarro.

Quase ao lado, na mesma Plaza Mayor, fica a Igreja de São Francisco, também maravilhosa, com pátios com azulejos espanhóis coloridos. É, na verdade, um conjunto, abrigando a igreja, o Museu de Arte Religiosa, o convento dos franciscanos – há mais de 50 ainda vivendo lá, no claustro ou nos aposentos – e uma rede de galerias, as catacumbas.

Quando se entra nelas, o silêncio é mais que necessário. Em cada “saleta” estão dispostos ossos distintos do corpo humano: pernas num canto, braços em outros, crânios mais adiante até se chegar ao final do “túnel” com um cadáver “montado”.

Um lugar para quem não sofre de claustrofobia e não se importa com um cheiro não muito agradável. A ventilação não chega a sufocar, mas não é das melhores. Como o trajeto é curto e belo, apesar de lúgubre, vale a pena encarar.

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Serviço

A LAN tem seis vôos semanais São Paulo/Lima (exceto às sextas-feiras), saindo de São Paulo às 19h30

A tarifa de ida e volta (para estada de seis dias a dois meses) é de US$ 659 (mais taxas) na baixa temporada (18 de julho a 1 de dezembro, 2 de dezembro a 6 de fevereiro, 7 de fevereiro a 6 de abril e 7 a 16 de abril).

Esses valores podem ser pagos em cinco vezes sem juros, com todos os cartões de crédito.

Informações pelo toll free 0800-707-4377 ou pelo site www.lan.com

Passeios no Peru devem ser agendados junto a Viajes Pacífico/ Gray Line Tours Peru, especializada em receptivo.

O fuso horário no Peru é de duas horas a menos em relação ao Brasil.

Para se entrar no Peru, há necessidade de vacinação contra a febre amarela.