08 de julho de 2026
Nacional

Mãe de jogador do Santos é seqüestrada

Por Mário Rossit | Folhapress
| Tempo de leitura: 6 min

São Paulo - Durou cerca de 45 minutos o seqüestro da dona de casa Noemia de Carvalho Correia, 53 anos, mãe do lateral-esquerdo Kléber de Carvalho Correia, 26 anos, do Santos Futebol Clube. O crime ocorreu na manhã de ontem, em Itaquera (zona leste de SP). O carro em que a dona de casa era levada para o cativeiro - uma Brasília verde - bateu de frente com um ônibus na rua Manoel Bueno da Fonseca, no Itaim Paulista (zona leste). Noemia foi socorrida por pessoas que estavam próximas ao local do acidente. O cativeiro para onde ela seria levada ainda não foi localizado pela polícia.

Ainda ontem, a vítima foi para a casa do filho, em Santos (85 quilômetros de SP). Kléber, além do Santos, teve uma passagem vitoriosa pelo Corinthians, onde ganhou títulos do Campeonato Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil e um Mundial Interclubes.

Os dois homens que estavam no carro fugiram em um outro veículo que escoltava a Brasília, onde havia mais três comparsas. Ninguém foi preso, e a dona de casa não sofreu ferimentos.

Segundo a polícia, o seqüestro de Noemia começou às 9h, na porta da casa dela, em Itaquera. Um homem, que ela mesmo descreveu como alto, loiro e magro, a chamou pelo interfone. Ele dizia, segundo depoimento dela à polícia, que iria entregar um documento de um veículo e precisaria checar alguns dados pessoais. “As pessoas que fizeram a ação a conheciam, pois a chamaram pelo nome”, afirmou o delegado Murilo Fonseca Roque, da 7.ª Delegacia Seccional da Polícia Civil.

Noemia, informou a polícia, veio então até o portão e, ao abri-lo, foi agarrada pelo homem. Como ela reagiu, um outro homem - descrito por ela como gordo e pardo - ajudou a rendê-la e colocá-la no banco de trás de uma Brasília, que estava parada na porta da casa da mãe do jogador. A cabeça da dona de casa foi coberta por uma blusa, segundo a polícia, e o carro saiu em alta velocidade. Depois de rodar por Itaquera e São Miguel Paulista, o veículo perdeu o controle e bateu de frente com um ônibus da linha 3.18 (Poá-Cidade Kemel), no Itaim Paulista.

A polícia informou que não houve perseguição ao carro e que os bandidos bateram a Brasília sozinhos. “Ela (Noemia) disse que os bandidos falavam no celular com outras pessoas a todo momento e diziam que não sabiam onde estavam”, relatou o delegado. O veículo - que não tinha queixa de roubo- teve a frente toda destruída.

Duas armas foram encontradas na Brasília - uma pistola calibre 380 e um revólver calibre 38. Dois homens que estavam no carro, segundo o motorista do ônibus, Antonio Ferreira dos Santos, 48 anos, saíram do veículo e embarcaram em um outro, não identificado. De lá, fugiram sem deixar pistas. “A Brasília entrou aqui em alta velocidade e não deu tempo para fazer nada”, contou o motorista do ônibus.

No momento da colisão, segundo ele, havia ao menos seis pessoas no ônibus. Nenhum passageiro se feriu. O proprietário da Brasília, cujo nome não foi divulgado, já foi identificado pela polícia. Ele não tem antecedentes criminais. Investigadores foram a até a casa dele ontem, mas não o localizaram.

A dona de casa desmaiou na batida e acabou sendo socorrida por pessoas que estavam próximo ao local. “Nós demos água para ela se acalmar”, afirmou uma funcionária de uma loja próxima dali. O delegado Roque afirmou que os bandidos avisaram que se tratava de um seqüestro. “Eles disseram ainda que que eram do PCC.”

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Outros casos

Mães de ao menos cinco jogadores de futebol brasileiros foram seqüestradas desde novembro de 2004, no Estado de São Paulo. O seqüestro mais longo foi o da mãe do jogador Luis Fabiano, Sandra Clemente, que permaneceu em poder dos criminosos durante mais de 60 dias.

Robinho

O primeiro caso foi o da mãe do jogador Robinho, do Santos, Marina da Silva Souza, 44 anos. Ela foi levada pelos seqüestradores no dia 6 de novembro de 2004 e ficou 41 dias no cativeiro. Marina foi rendida quando participava de um churrasco na casa de parentes, em Praia Grande (litoral de São Paulo). Dois homens armados invadiram o local, renderam os convidados e perguntaram quem era a mãe do jogador. Em seguida, as testemunhas foram trancadas em um cômodo e a vítima, levada em seu próprio carro, um Mercedes-Benz Classe A. Um dia depois, o veículo foi encontrado no mesmo município. Por exigência dos criminosos, Robinho não participou de seis jogos do clube em que estava - o Santos - e pagou R$ 200 mil como resgate. Desnutrida e com os cabelos curtos, a mãe dele foi libertada em Perus (zona norte de São Paulo). Robinho joga atualmente no Real Madrid.

Grafite

O seqüestro da também dona de casa Ilma de Castro Libânio, 51 anos, mãe do jogador Edinaldo Batista Libânio, 25 anos, o Grafite, que estava no São Paulo, começou no dia 24 de fevereiro de 2005, quando três homens invadiram a casa em que a família vive, em Campo Limpo Paulista (57 quilômetros de São Paulo). Antes de fugirem, os seqüestradores amarraram o marido e o filho mais velho dela. O cativeiro em que Ilma estava foi encontrado por acaso, no dia seguinte, quando dois homens saíram correndo de uma chácara, no município de Artur Nogueira (151 quilômetros a noroeste de São Paulo), depois de perceberem a presença de policiais que estavam em patrulhamento.

Rogério

No dia 21 de março de 2005, a dona de casa Inês Fidélis Régis, 57 anos, mãe do jogador Rogério, então no Sporting de Lisboa, foi rendida em casa, em Campinas (95 quilômetros a noroeste de São Paulo). Ela foi mantida amarrada e trancada em um cativeiro em Caraguatatuba (litoral de São Paulo). Ela foi localizada três dias depois, por policiais da Delegacia Anti-Seqüestro de Campinas.

Luís Fabiano

O seqüestro da mãe do jogador Luis Fabiano, Sandra Clemente, 43 anos, foi o mais longo deste tipo. Ela permaneceu em poder dos seqüestradores durante mais de 60 dias, entre 11 de março e 13 de maio de 2005. Ela foi rendida por ocupantes de um carro, perto de casa, em Campinas. O ex-jogador do São Paulo, Luis Fabiano, que à época jogava no Porto, soube do seqüestro por telefone. Na ocasião, por meio de sua assessoria de imprensa, ele pediu o afastamento dos jornalistas do caso. Sandra foi encontrada trancada em um quarto, com apenas um colchão, em Mairinque. Ela não foi agredida, mas recebeu alimentação precária e ficou abatida. Nos 15 dias que antecederam sua libertação, ela foi impedida de tomar banho. Durante as negociações, os criminosos chegaram a exigir R$ 1 milhão como resgate, mas nenhum pagamento chegou a ser efetuado. Eles entraram em contato com a família poucas vezes e, a pedido da família, enviaram provas de vida como fotografias.

Marinho

O então zagueiro corintiano Marinho teve a mãe, Alice Pedro Nazaré, 61 anos, seqüestrada durante 25 dias, entre os dias 3 e 28 de maio de 2005. Ela foi capturada em sua casa, em um conjunto habitacional no bairro da Aparecida, em Santos (litoral de São Paulo), por falsos entregadores de flores. Mediante pagamento de resgate, ela foi libertada deixada pelos criminosos no Jardim Humaitá, em São Vicente, cidade vizinha a Santos. A família teria pago R$ 50 mil como resgate.