10 de julho de 2026
Nacional

PCC teria plano para destruir presídios federais

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Documentos do Ministério Público de São Paulo que chegaram à CPI do Tráfico de Armas indicam que, no auge da crise provocada pelos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) foram interceptadas mensagens em que a facção criminosa ordenava a destruição de penitenciárias federais ainda em construção.

Em um dos documentos, datado de 14 de junho e assinado pelo promotor Roberto Porto, ele afirma: “Conversas mantidas entre a advogada Valéria Dammous e o detento Orlando Motta Júnior, vulgo “Macarrão”, regularmente interceptadas, dão conta da ordem emanada pelo PCC de destruição das penitenciárias federais, ainda em construção”.

O promotor pede que o fato seja comunicado ao Procurador Geral de Justiça e ao Ministro da Justiça. Em outro documento: “A investigação, de caráter naturalmente sigiloso, ainda não obteve dados acerca do endereço do presídio ou presídios em questão e nem tão pouco a data do evento, apenas destacando que se trata de ordem efetivamente dada dentro daquela mencionada facção criminosa”.

Por conta disso, a segurança nos presídios federais em construção - o primeiro deles, em Catanduvas (PR), inaugurado em junho - foi reforçada. A advogada Valéria foi presa em 28 de junho. Ela é acusada, junto com outros dois advogados, de transmitir informações privilegiadas a líderes do PCC e servir de elo de comunicação entre bandidos presos e soltos para articular as rebeliões ocorridas em junho.

Macarrão, um dos líderes do PCC, teria a responsabilidade de retransmitir à facção as ordens vindas do primeiro escalão. Ontem, ao ser questionada pelo relator da CPI do Tráfico de Armas, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), Valéria negou que tenha dado qualquer tipo de ordem para destruição de presídios.

Autoridades visadas

Em sessão reservada a integrantes da CPI do Tráfico de Armas, o promotor André Luís Felício, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, afirmou ontem aos deputados que na última sexta foi interceptada uma mensagem de um integrante do PCC em que ele manda “começar a seqüestrar autoridades”. A íntegra da mensagem diz: “É para começar a seqüestrar autoridades para resolver os problemas do sistema. Do jeito que está não está surtindo efeito. O braço armado vai começar a funcionar de vez. Acabou a paz”.

O recado teria partido, segundo relato do promotor, do preso Júlio Cesar Guedes de Moraes, conhecido como “Julinho Carambola”, detido em Presidente Wenceslau. A interceptação teria sido feita pela inteligência da Polícia Civil ao meio-dia da última sexta. O promotor teria afirmado aos parlamentares que “não dá para descartar” tentativas deste gênero por parte do PCC.

A reportagem teve acesso ontem aos depoimentos das advogadas Libânia Catarina Fernandes Costa e Valéria Dammous à Polícia Civil de São Paulo. Presas em 28 de junho, elas confessaram ter recebido pagamentos de até R$ 7 mil, no caso da primeira, e de R$ 20 mil, no caso de Valéria, para repassar ordens entre integrantes do PCC.