08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Adeus, “Cirinho”!


| Tempo de leitura: 2 min

Senhor redator, peço vênia para externar a todos os desportistas, políticos e colegas advogados de Bauru, os meus sinceros sentimentos pelo falecimento do nosso grande amigo Cyro Ferraz de Aguiar, pessoa com quem tive a oportunidade de conviver por longos anos. Dr. Cyro, como era conhecido nas lides forenses e na Câmara Municipal; e “Cirinho”, nos campos de nossa várzea. Na nossa distante época do futebol infanto-juvenil, nos campos de terra da nossa cidade - naquele tempo (1953/1957) somente havia gramas no campo do E.C. Noroeste, Bauru A C., do Bandeirante/Fortaleza e na Quinta Ranieri, os demais eram areia pura -, jogamos juntos no Marabá F.C., capitaneado pelo ilustre e enérgico cidadão bauruense Salvador Ferreira dos Santos, o popular “Chapa”, que hoje vive em Campo Grande-MS.

“Cirinho” notabilizou-se no esporte, na política, na advocacia, na prestação de serviços beneficentes etc; acima de tudo, na Câmara Municipal foi um lutador incansável pelas classes menos favorecidas, razão porque cumpriu três mandatos (1967/1982), pois sempre se dedicou e pautou seu trabalho com franqueza, sinceridade e lisura, merecendo todo o respeito dos demais colegas edis e da sociedade em geral, além disso, era dotado de profundo conhecedor das leis e das administrações públicas. Nas lides forenses, se destacava com denodo e ousadia na defesa de seus constituintes, atuando com sobriedade, sem deixar contagiar-se pelo espírito egocêntrico, por isso era muito respeitado entre a classe dos causídicos, juízes, cartorários e demais, principalmente pela sua vigorosa boa vontade, pragmatismo e civilidade, também porque, sempre foi um ser humano de caráter bondoso e incontestável, diuturnamente voltado para os problemas da sua cidade bem como da própria família, tratando a todos com espírito de urbanidade e honra, sendo sempre fiel no amor a tudo que fazia.

No futebol, “Cirinho” foi destaque e temido pelos adversários, pela sua elegância ao trato com a bola, pois autor de belíssimos gols, para mim um dos mais lindos foi o marcado contra o BAC, de “Pelé” e cia, aos vinte e cinco minutos do segundo tempo, e o placar era de zero a zero até aquele instante. Depois de um tiro de meta batido por mim, a bola viajou alta, “quicou” na intermediária adversária, aí o “Cirinho” golpeou de cabeça, acossado pelo Osmar, e a bola entrou no alto, canto esquerdo do saudoso goleiro Salvador. Foi só festa. Ah! Quanto foi o jogo? Perdemos de 2 x 1, dois gols do “Pelé”, aos 40 e 43 minutos finais. Nesse dia nosso time formou assim: Eu, João e Marinho, Lelo, Hitler e Alaíde, Vadinho, Joãozinho, Cirinho e Sílvio Bombini. Que saudade, “Cirinho”. O infortúnio levou você para sempre, mas jamais você será esquecido. Como sempre diz meu colega de fé Leonardo de Brito: “Descanse em paz, meu amigo”!

Sebastião Gama da Cunha - OAB-SP 56.487