10 de julho de 2026
Cultura

Grupo teatral do IPA completa 5 anos

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

O Grupo Teatral Enquanto Ela Não Vem do Instituto Penal Agrícola (IPA) completa cinco anos de atividades neste mês. Para celebrar a data, será apresentado hoje, às 19h30, o espetáculo “Grades” no teatro do IPA. O evento é aberto ao público

Em cinco anos de atividades, o “Enquanto Ela Não Vem” projetou seu nome com apresentações em diversos espaços de Bauru e região, além da participação em mostras e festivais de teatro.

Entre as montagens teatrais, estão: “O Palhaço e o Girassol” e “A Noiva do Meu Irmão”, ambos de 2001; “Uma Lição Longe Demais” (2002); “Uma Confusão dos Diabos” e a “A Sopa de Pedra”, de 2003; “A Revolta do Padroeiro”, “O Amor é Lindo” e a “A Casa da Sogra”, todos de 2004. O último levou o grupo ao terceiro lugar da Fase Regional do Mapa Cultural Paulista em 2005.

O início de 2006 trouxe aos palcos os personagens do espetáculo “Vô Doidin e o Feitiço da Bruxa”, apresentado em diversos lugares da cidade. E, em maio, o grupo produziu “Grades”, que estreou em Bauru em junho no Teatro Veritas da Universidade do Sagrado Coração (USC).

Paralelamente aos textos teatrais, o Enquanto Ela Não Vem montou espetáculos de dança-teatro. Vale citar “E Agora, José?”, “Roda Viva” e “Curso Imperfeito”, todos de 2001; “Cartomante” e “Metade de Mim”, de 2002, e o “À Beira do Caminho”, produzido em 2003.

Grades

Dirigida por Vânia Fonseca, a peça “Grades” retrata as amarguras vividas atrás das grades por meio do olhar dos reeducandos do IPA. O texto, escrito coletivamente, conta a história de Zé, um homem simples que é preso por uma prática que, em seu território de origem, é costumeira: a de criar uma jaguatirica, espécie em risco de extinção.

Julgado e condenado, Zé se depara com situações que lhe são absolutamente estranhas, como a linguagem judiciária e a dos próprios detentos. À medida que absorve e é absorvido pela cultura carcerária, os demais personagens, companheiros de cárcere, compartilham com o público os piores momentos de suas vidas na prisão.

Construído para ser um espetáculo forte e agradável, o texto é um conjunto de quadros entrelaçados pela utilização de diversas linguagens cênicas, como a do clown e da dança-teatro.

O espetáculo, encenado por André Vaz, Hamilton Rocha, Thiago de Paula, Eder Moura, Elton Vales e Adriano Albino, estreou no dia 19 de maio em Sorocaba (SP) durante o lançamento da Campanha de Simplificação da Linguagem Jurídica, promovida pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB). Outras informações sobre a apresentação pelo telefone (14) 3239-1025 ou (14) 9794-5314.

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Dificuldades

A vontade de provocar o autoconhecimento entre os reeducandos e o amor ao teatro foram os fatores que estimularam a diretora Vânia Maria a criar o grupo teatral Enquanto Ela Não Vem em 2001. Formada em direito, Fonseca trabalha há cerca de 20 anos no IPA e viu na arte uma forma de reinserir os detentos na sociedade.

A diretora teve que superar diversas dificuldades para inserir as atividades cênicas na instituição, mas todo o esforço foi recompensado. “É possível verificar uma transformação nos semblantes dos detentos. No teatro, eles não precisam medir forças com ninguém, ali está a verdadeira liberdade”, disse.

De acordo com Fonseca, o grupo procura se reunir diariamente em ensaios que às vezes duram cinco horas. Como o trabalho teatral ocupa todo o tempo que poderia ser desenvolvido em serviços externos, os atores produzem artesanato, cuja renda é destinada a auxiliar à família.