A leishmaniose, doença transmitida pelo mosquito palha, causou a primeira morte do ano em humanos em Bauru. Trata-se de um morador de rua que estava internado no Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo desde o último dia 28 e que morreu no dia 30. Porém, a confirmação de que ele perdeu a vida em conseqüência da moléstia só veio ontem quando o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de Bauru recebeu resultado de exame do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo.
A informação é da assessoria de imprensa da prefeitura. O instituto também confirmou mais outros dois casos da doença em Bauru – de um paciente que está em tratamento e outro que já recebeu alta médica. Com as novas confirmações, agora Bauru soma 37 casos de leishmaniose neste ano, com uma morte. Em 2005, foram 32 casos e quatro mortes.
A vítima fatal era moradora de rua de 64 anos. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, não há informações sobre há quanto tempo ele morava em Bauru. Na semana passada, o secretário de Saúde, Mário Ramos, em matéria publicada pelo JC, avaliou que apesar dos casos da doença terem aumentado em comparação ao ano passado, a letalidade caiu.
Em 2003, quando a leishmaniose foi registrada pela primeira vez em Bauru, foram registrados 17 casos da doença e uma morte. No ano seguinte, 29 casos e três mortes. As três novas confirmações de leishmaniose de ontem confirmam o crescimento da doença, porém a morte mostra que a letalidade não está totalmente controlada, o que exige atenção. Porém, o fato de a vítima fatal ser moradora de rua pode ter contribuído para o agravamento do seu quadro de saúde.
O médico infectologista Fernando Monti ressalta que tanto outras doenças associadas à leishmaniose quanto o diagnóstico tardio contribuem para evolução do quatro para morte. E, como morava na rua, não é descartada a possibilidade de o diagnóstico da doença ter sido feito tardiamente e do paciente estar, anteriormente, com a saúde debilidade e ter outras moléstias.
Cauteloso, Monti acredita que é preciso aguardar mais tempo, cerca de um ano, para avaliar a queda da letalidade da leishmaniose. “O tratamento foi eficaz desde os primeiros pacientes. Mas a evolução da doença varia muito de pessoa para pessoa. Um dos pacientes que morreu no início da epidemia da leishmaniose em Bauru, antes de contrair a doença já tinha problemas cardíacos, o que complicou o quadro”, comenta.
As outras duas pessoas que contraíram a doença recentemente são uma mulher de 71 anos moradora da Vila Souto, que já foi tratada no HE, e um homem de 48 anos que reside no Jardim Prudência e ainda está em tratamento no hospital (os nomes dos pacientes não foram divulgados). Segundo o DSC informou através da assessoria de imprensa da prefeitura, as medidas de controle e prevenção da doença foram desencadeadas na área de abrangência dos casos.