09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Usuário espera sentado em lotéricas

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

“Não é fácil, não.” A frase da aposentada Ângela Maria da Silva resume a indignação dos usuários de casas lotéricas de Bauru. Funcionários de algumas unidades consultadas pela reportagem afirmam que o sistema só funcionou, de fato, por cerca de uma hora e 30 minutos ontem. Com isso, grandes filas se formaram e alguns comerciantes improvisaram banquinhos para que os clientes pudessem esperar sentados, literalmente. O problema se arrasta desde fevereiro, quando foi iniciada a mudança do sistema. A Caixa Econômica Federal (CEF) diz que a situação deve melhorar a partir do próximo dia 12. Enquanto isso, os usuários continuam “jogando na loteria” para conseguir atendimento.

Ontem, muitas pessoas perderam boa parte do dia tentando pagar suas contas ou retirar o dinheiro da aposentadoria. Depois de passar por cinco lotéricas, o porteiro José Carlos Seixas resolveu parar de andar e esperar. “Já faz 40 minutos que estou aqui, e nada. Tenho horários para cumprir. Isso é um absurdo”, desabafa o porteiro, que precisava pagar contas de água, luz e telefone. “Colocaram esse sistema novo, mas não adianta modernizar e piorar”, se exalta o usuário.

A doméstica Rosemeire Oliveira Justino afirmou ter perdido mais de três horas do seu dia à procura de um lugar para pagar suas contas que venciam ontem. “Nós não temos outra opção. No banco a gente chega a perder mais tempo para pagar, além disso, a maioria não aceita contas de água, luz e telefone”, ressalta Rosemeire.

De acordo com a gerente de uma lotéria no Centro Marisa Amaral, o sistema funcionou por apenas uma hora e 30 minutos somando todos os momentos em que esteve operante, já que o problema é intermitente. “A gente trabalhou das 8h30 até 9h30 pela manhã. À tarde o sistema ficou parando toda hora”, diz a gerente, que cedeu banquinhos plásticos para que os clientes pudessem esperar sentados. Durante os 20 minutos em que a reportagem do JC esteve no local, nenhum caixa funcionou. No balcão de cada guichê existiam apenas placas contendo a frase: fora de sistema.

“Piorou”

Em outra lotérica do Centro, mais problemas. A gerente, Maria Cecília dos Santos, acreditava que o sistema iria melhorar a partir desta semana, mas isso não ocorreu. “Ao invés das coisas melhorarem, piorou mais ainda. Acho que se trabalhamos por 1h30 foi muito hoje, e mesmo assim, com o sistema lento demais”, afirma a gerente, que reclama da falta de preocupação da CEF.

“Nos últimos dias a gente tem ficado mais tempo esperando do que trabalhando. A Caixa não dá nenhuma satisfação para a gente. Quem mais sofre são as pessoas, que não têm a quem recorrer e ficam horas esperando. Estamos todos vivendo um pesadelo e parece que não conseguimos acordar”, desabafa a gerente.

Maria Cecília improvisou 12 bancos de madeira para que os clientes pudessem esperar com um pouco mais de “comodidade”. Uma das “felizardas” foi a aposentada Ângela Maria da Silva, que há três horas procurava uma agência onde pudesse receber sua aposentadoria e pagar uma conta. “Não é fácil não, meu filho. Estou nessa aqui esperando para pegar meu dinheirinho e pagar uma conta de luz que, pelo jeito, vai ter multa”, se lamenta a aposentada.

Outra que aproveitou o banquinho foi a doméstica Cristina Duarte. “Gostei da iniciativa do dono. Eu estava cansada. Além de ter passado por duas lotéricas, já tinha trabalhado o dia todo”, ressalta a doméstica, que saiu mais cedo do serviço para pagar uma conta de luz.

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Caixa monitora sistema

De acordo com o gerente regional de canais lotéricos da Caixa Econômica Federal (CEF), Olair Ribeiro Filho, a CEF vem trabalhando ininterruptamente para que o sistema volte a operar normalmente. “Nós temos técnicos de Brasília que monitoram e fazem manutenção no sistema 24 horas por dia. Nós trabalhamos para que amanhã (hoje) as coisas melhorem”, afirma o gerente.

Ribeiro diz que a situação tende a normalizar a partir do dia 12 deste mês, quando será finalizado o processo de troca do sistema em todas as agências do Brasil. “Hoje nós operamos com dois sistemas operacionais, portanto, há fluxo de informações que chegam por duas vias. Em dias como hoje (ontem), a média de atendimentos chega a 800 pessoas por dia. Isso também atrapalha”, ressalta o gerente, que também afirma que o trabalho está sendo realizado com o intuito de beneficiar os usuários.

Segundo Ribeiro, a CEF tomou uma medida de urgência para não prejudicar ainda mais a população que depende dos serviços das lotéricas. “As duas agências da Caixa, no Centro, estão abrindo mais cedo para atender os usuários. Elas estão funcionando das 8h às 16h”, explica o gerente, que admite que a medida pode se estender para mais agências, de acordo com a demanda.

O processo de mudança do sistema operacional das agências teve início em fevereiro deste ano. Das 25 mil lotéricas espalhadas pelo País, cerca de 20 mil já passaram pela renovação.