08 de julho de 2026
Regional

Botucatu quer viabilizar trem-bala até Rubião Júnior

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - Um projeto da administração municipal de Botucatu pode inovar o setor de transporte público no município (100 quilômetros de Bauru). A prefeitura e a empresa Brashidro comunicaram, anteontem, a concessão de uso de vagões de trem que estão abandonados na linha férrea da cidade. Com a liberação das composições pela Rede Ferroviária Federal (RFFSA) a administração quer colocar em circulação uma linha de trem-bala pelos trilhos que cortam a cidade. O trajeto seria do Centro até a Unesp no Distrito de Rubião Júnior.

O tempo estimado seria de oito minutos para transpor aproximadamente sete quilômetros, com capacidade de transporte de 300 passageiros por viagem.

Segundo o prefeito Antonio Mário Ielo (PT), com a concessão do maquinário, a prefeitura atuará como parceira na elaboração e implantação do projeto batizado de Transporte Rápido Auto-Motriz (Tram), desenvolvido pela Brashidro.

“A proposta inicial é de recuperar os antigos vagões de trem de passageiros, que hoje se encontram em situação precária, e transformá-los em um novo sistema de transporte para a população de Botucatu”, explica Ielo.

Ainda conforme a proposta, o trem seria desenvolvido no modelo do metrô de São Paulo. Levantamento feito pela Brashidro apontou que aproximadamente 20 mil pessoas fazem o itinerário da região central até o distrito.

O diretor da empresa, Fernando Marins, diz que a proposta é de baixo custo, pois o trem seria construído tendo como base os eixos dos antigos vagões.

“Com a concessão desse maquinário, daremos início aos estudos de viabilidade de recuperação desses vagões. Eles foram danificados e muitas peças foram roubadas. Nossos técnicos já fizeram uma primeira análise e afirmaram que o aproveitamento deverá ser de 80% de estrutura das máquinas existentes. É um projeto que tem tudo pra dar certo”, aposta Martins.

No sentido de preservar os vagões, a empresa iniciou anteontem a transferência do que sobrou das composições da estação de passageiros desativada pela Fepasa para o galpão da Ceagesp, localizado em Rubião Júnior.

A assessoria de imprensa da Prefeitura, avaliou, ontem, que será necessário uma revisão nos trilhos e provável manutenção nos dormentes ao longo dos percurso previsto para o trem-bala.

Viabilidade

A administração municipal vinha solicitando a concessão dos trens à Rede há três anos. A Brashidro prevê que o estudo de viabilidade esteja concluído ainda em outubro deste ano. Caso a viabilidade do projeto seja aprovada, a prefeitura terá que abrir processo licitatório para a operacionalidade do transporte. “Será um transporte mais rápido, moderno e com custo de manutenção baixo. Se os estudos apontarem que o projeto é viável para Botucatu, com certeza teremos muitas empresas interessadas em administrar o sistema”, ressalta Fernando.

Caso o trem entre em circulação, Botucatu será pioneira neste tipo de transporte no Estado de São Paulo e poderá se tornar referência para municípios vizinhos. O Tram já vem sendo desenvolvido pela Brashidro em duas cidades cearenses, em Crato e Juazeiro do Norte.