No palco, cinco mulheres totalmente diferentes em uma só atriz: Solange Couto. É ela quem dá graça e humor à esnobe Lígia, à empregada doméstica Leidiane, à funcionária pública Vera, à cobradora de ônibus Sheilão e à psicóloga Márcia Beatriz no espetáculo “Tem Alguém na Linha?”, que a El Teatro Produções traz amanhã, às 20h, ao Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves.
O que une todas essas mulheres? O universo sentimental feminino. “Todas elas sofrem do mesmo mal, o amor”, adianta a atriz ao JC Cultura. E qual é o segredo de tanto sucesso nos lugares onde a peça foi levada? É a garantia do riso. “Em todas as apresentações, as pessoas se divertem. A intenção do espetáculo é a diversão pura, sem compromisso”, diz Solange.
O texto, escrito por Regiana Antonini - redatora do programa “Zorra Total” e criadora do bordão: “ Vem cá, eu te conheço?” – foi feito especialmente para a atriz. “Eu disse para a Regiana que gostaria de interpretar cinco personagens diferentes. Fazer um monólogo é um desafio que estou adorando. Durante a peça eu me divirto muito. Não paro de falar nem um minuto”, explica a atriz.
Sem sair de cena, Solange compõe todas as personagens. Com perucas, batons e outros acessórios, a atriz vai se transformando, sem perder o ritmo e o fôlego da narração. “É um exercício de ator muito difícil. A transformação mais demorada dura um minuto e 20 segundos”, cita.
Dona de uma carreira que está completando bodas de prata, Solange – a inesquecível Dona Jura de “O Clone” – acredita que este espetáculo é o seu maior desafio como atriz. “Inegavelmente, Dona Jura foi o ápice de minha carreira, que me projetou nacionalmente. Mas, do ponto de vista profissional, ‘Tem Alguém na Linha?’ está sendo meu grande desafio”, afirma.
O espetáculo estreou em janeiro deste ano em Vitória, no Espírito Santo, e desde então percorreu diversos Estados. O prazer pelo trabalho tem sido tanto que a atriz negou uma participação na minissérie de Glória Perez “Amazônia – De Galvez a Chico Mendes”. “Se aceitasse, teria que parar com a peça por três meses, mas eu estou muito contente com o trabalho e ainda pretendo viajar com ele por um ano e meio”.
Triiimmm...
Num mundo globalizado, computadorizado e com tecnologia presente em todos os cantos, a personagem central, Dra. Márcia Beatriz, é uma terapeuta que resolve pegar carona em um filão ainda não explorado: a terapia 30 horas por telefone, evitando assim a exposição cara a cara dos problemas e frustrações dos pacientes.
A “personal helper”, como ela mesma se intitula, é uma mulher estressada e mal-humorada, mas que, por telefone, se mostra uma mulher resolvida, prática e calma. Entre suas pacientes, a chiquérrima, arrogante e workaholick Lígia Assunção. Seu maior problema é se sentir incompreendida, por conta de sua inteligência.
Mudando de classe, a terapeuta atende a empregada doméstica de Lígia, Leidiane Cristina. “Barraqueira”, com seis filhos, ela tem um marido vagabundo, mas que não consegue abandoná-lo por causa da ligação sexual.
A quarta personagem é Vera Lúcia, uma funcionária pública de meia idade e muito religiosa, mas que nutre fantasias sexuais por todos os amigos surfistas de seu filho. Sheilla Maria, a quinta personagem, é mais conhecida como Sheilão. Homossexual assumida, trabalha como trocadora de ônibus e está enfrentando problemas com a namorada, Leninha.
Depois desse dia exaustivo, a psicóloga se deita numa poltrona, pega o telefone e disca um número. Do outro da linha está Clô, a sua terapeuta 30 horas. Sim, ela também tem seus problemas, seus medos e procura respostas.
• Serviço
Espetáculo “Tem Alguém na Linha?” será apresentado em sessão única amanha, às 20h, no Teatro Municipal (avenida Nações Unidas, 8-9). Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro por R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada). Mais informações: (14) 3235-1072.