Brasília - Em visita à sede da Caixa Econômica Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva posou para fotos, deu autógrafos, ouviu gritos, abraçou e beijou os servidores e ainda alfinetou o PSDB ao criticar os “privatistas”. As privatizações são um dos principais alvos petistas contra a gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso.
A lembrança do que considera “vidraça” do PSDB ocorreu em fala improvisada a cerca de 20 dirigentes do primeiro escalão da Caixa, depois de ter percorrido diferentes setores de um prédio de 21 andares e acompanhado balanço das ações do banco estatal. “Esta Caixa esteve para quebrar muitas vezes. E as pessoas não contavam (com a recuperação). E veja como os privatistas publicavam manchetes dizendo: ‘a Caixa teve déficit de R$ 1 bilhão, o Banco do Brasil teve déficit de R$ 800 milhões, o Tesouro vai ter que colocar dinheiro’”, disse o presidente.
A visita de Lula à Caixa, a primeira de um presidente da República à sede do banco, ocorreu pouco menos de cinco meses após o escândalo da quebra do sigilo bancário de Francenildo dos Santos Costa. O caseiro teve sua conta-poupança na Caixa violada após desmentir o então ministro Antônio Palocci (Fazenda) e afirmar que o viu em uma casa em Brasília freqüentada por lobistas e garotas de programa. Suposto mandante da violação, Palocci deixou o governo em meio à crise, assim como o então presidente do banco, Jorge Mattoso.
No discurso, o petista pediu aos servidores que divulguem ações e avanços do banco estatal. “O importante é que vocês se orgulhem e digam que a Caixa está fazendo mais do que fez em qualquer outro momento de sua história, está cuidando do povo pobre e não está tendo superávit no final do ano.” Antes de concluir sua fala, o presidente mais uma vez provocou os tucanos. “Se vocês (servidores) continuarem trabalhando assim, penso que sairá da cabeça de qualquer brasileiro a idéia que um banco como esse tem que ser privatizado”, afirmou o petista.
Embora Lula não tenha mencionado, a Caixa e o Banco do Brasil passaram por um processo de reestruturação no governo de FHC, antes e depois de o Tesouro Nacional colocar mais recursos nas duas instituições.
Ontem, nos 15 minutos em que improvisou um discurso, o presidente não tocou no tema da violação do sigilo e se recusou a falar com a imprensa. Lula também cumpriu agenda de candidato pela manhã. Foi a um estúdio, onde gravou sua participação em programas de TV e de rádio.