O censo de cães e gatos de Bauru, que começou a ser feito na quarta-feira passada por 120 agentes do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde, está esbarrando em uma dificuldade: conseguir dados dos responsáveis pelos animais.
Em muitas casas visitadas nos primeiros dias do censo, os adultos estão trabalhando - apenas crianças estão na residência com os animais. Em outras, os moradores relutam em entregar o RG para o agente de saneamento que, além de orientar sobre como prevenir-se da dengue e da leishmaniose, estão fazendo o cadastro de cães e gatos, o que inclui o nome dos proprietários dos animais.
Atualmente, o município trabalha com estimativa de população animal do Instituto Pasteur, da Secretaria de Estado da Saúde, baseada em dados de campanhas de vacinação, que é de 50.954 cães e 22.293 gatos. O registro de cães e gatos faz parte do Programa Municipal de Controle Animal. Numa segunda fase, o DSC vai colocar coleira e plaqueta nos cães com os dados de seus donos como forma de cobrar a posse responsável.
O cadastramento dos animais deve durar dois meses, segundo o chefe do Centro de Controle de Zoonoses, veterinário Ricardo Paes de Barros Cortez. “Nós acreditamos que nesse prazo todos os animais estejam cadastrados e que possamos iniciar a segunda fase do projeto”, disse.
As coleiras e plaquetas, cerca de 50 mil, serão distribuídas gratuitamente, provavelmente nas clínicas veterinárias, após o cadastramento. “As clínicas ainda não assinaram o contrato, mas isso deve acontecer em breve. O envolvimento delas com o dono do animal é um passo importante para estimular a posse responsável dos cães e gatos”, comentou o veterinário.
A adoção de coleiras e plaquetas para os animais faz parte do trabalho de combater à leishmaniose e cães errantes. A doença, que é transmitida pelo mosquito palha, tem no cachorro seu reservatório. Neste ano, muitos cães já morreram em conseqüência da leishmaniose. Até ontem, 37 pessoas haviam contraído a doença e uma delas morreu.
Posse responsável
O casal Daniel Aparecido Alves e Vânia dos Santos Alves mantém em sua casa, no Núcleo Isaura Pitta Garmes, três cães. A mulher gosta dos animais além deles ajudarem na segurança. Vânia confessa que não tem condições financeiras para levar os animais ao veterinário, mas procura cuidar deles muito bem.
“Eu faço a vermifugação com erva-de-santa-maria e hortelã. A vacinação é feita pela prefeitura”, comenta. Sobre a leishmaniose, a moradora diz ter conhecimento sobre a doença. “É uma doença que ataca o homem e o animal. Aqui mantenho tudo limpo, recolho as fezes todos os dias”, sustenta.
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Preocupação é com golpes
A agente Denise Helena Garcia conta que é bem recebida nas residências com cães e gatos, mas quando ela solicita um documento, os moradores ficam cismados. “Em uma das casas, a moradora pegou meu documento e entrou. Acredito que ela tenha consultado a Secretaria de Saúde. Só depois deixou eu entrar e entregou meu documento”, relatou.
Para a agente, a atitude da moradora é normal. “Acredito que ela esteja certa. Afinal, existem muitos golpistas soltos na cidade e, entregar o documento a estranhos, pode ser arriscado”, reconhece. Na opinião dela, exigir identificação do agente é uma segurança a mais para o morador. “Nós todas estamos com crachá de identificação”, frisa.
Na rotina das visitas, as agentes têm enfrentado situações inusitadas. “Alguns moradores acham que viemos buscar o cachorro doente. Outros, acham que chegamos para vacinar e tem proprietário que nem sabe o nome do cão ou do gato”, relata Denise.
Durante o trabalho, as agentes percebem que a população de cães é maior do que a de gatos. Nos bairros periféricos, onde os moradores trabalham o dia todo e a casa fica sozinha, a média de cachorros por residência é de dois, a maioria sem raça definida.