10 de julho de 2026
Política

Ex-ministro se cala sobre política

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Há um mês longe dos holofotes da política em Brasília, Roberto Rodrigues quer se desvencilhar definitivamente da imagem de ex-ministro da Agricultura do governo Lula. O primeiro passo para tal foi não conversar com a imprensa, durante visita ontem à 4a Feira da Agricultura Familiar (Agrifam), de Agudos.

Rodrigues pediu demissão do cargo no final de junho, depois de sofrer pressões da bancada ruralista, que criticava as dificuldades do ministro em ver seus pleitos atendidos totalmente dentro do governo. Mesmo tendo afirmado, na ocasião, que seu pedido de demissão não era por razões políticas, a tentativa de se manter afastado da imprensa para não falar sobre sua saída do governo, deixa claro que o ex-ministro cansou da vida política e pretende se dedicar novamente à agricultura, mas sem vínculos com o poder.

Na Agrifam, o ex-ministro defendeu o cooperativismo como forma de desenvolvimento da agricultura no país. Rodrigues foi homenageado pelos organizadores do evento e ressaltou a importância de se formar cooperativas para colocar a agricultura familiar em destaque no mercado, no Brasil e no exterior. “Defendo o cooperativismo há 40 anos, desde os tempos de faculdade”, comentou.

Para o ex-ministro, reunir pequenos agricultores em cooperativas é apenas o primeiro passo para esse desenvolvimento. Segundo ele, muito já foi conquistado através da agricultura familiar, e a tendência é que essas conquistas aumentem ainda mais, desde que haja incentivos e “agregação de valores”, para isso. “A agricultura familiar é maioria absoluta no cooperativismo, e isso precisa ser fomentado”, disse.

Apesar de ter discursado para os presentes durante a homenagem, Rodrigues se recusou a falar com a imprensa sobre qualquer assunto. “Fiz uma promessa de ficar calado durante quatro meses, para não ser mal interpretado”, disse o ex-ministro, alegando que tudo o que dissesse teria repercussão e ele queria evitar isso.

Durante o discurso de agradecimento, Rodrigues disse esperar que a homenagem se devesse mais à sua história antes de ser ministro, do que pelo trabalho no Ministério. “Acredito que a homenagem é mais pela minha história passada do que por ser ex-ministro da Agricultura. Fico mais satisfeito de ser recebido de volta ao meio, do que ter que responder como ministro”, frisou.