Araraquara - A Penitenciária Regional de Araraquara pode ganhar bem mais do que uma reforma geral depois de sofrer duas rebeliões seguidas, em maio e junho. Informações que correm nos bastidores do sistema prisional indicam a possibilidade de a unidade se tornar um presídio com Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), semelhante ao modelo adotado em Presidente Bernardes e Avaré.
A única dúvida estaria entre ajustar a unidade local e reconstruir o sistema na destruída penitenciária de Avaré. Os fatos de Araraquara ter tido muita evidência negativa e ser muito grande estariam levando a segurança máxima do sistema paulista para fora daqui. Independentemente disso, haverá mudanças na estrutura do presídio para aumentar a segurança.
Oficialmente, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) nega a possibilidade da mudança de regime, que poderia trazer para Araraquara algumas das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de outras facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV). A Tribuna apurou que a Secretaria já relacionou a unidade local para virar RDD, mas, agora, estaria pendendo para o lado de Avaré. É que, por ser muito ampla, a reforma custaria mais do que os R$ 13,1 milhões iniciais propostos pelo Governo do Estado.
No RDD, os presos não têm contato uns com os outros e o banho de sol é feito em um espaço dentro da própria cela.
Um outro fator que dificultaria a instalação do sistema na cidade é o fato de o presídio já abrigar internamente outras duas unidades: a Ala de Progressão Penitenciária, com presos do regime semiaberto, e o Centro de Detenção Provisória (CDP), com detentos ainda sem condenação definida. Além disso, o prédio tem várias salas destinadas a oficinas de trabalho e a aulas que ficariam desativadas.
Caso a proposta de RDD seja descartada, existe uma outra possibilidade a rondar a unidade. Uma delas seria aumentar a segurança do presídio com regras mais rígidas. Por enquanto, nada é confirmado, mas também existiria um projeto de alterar os quatro pavilhões da penitenciária, dividindo-os ao meio, para manter oito raios. A medida visaria a ter maior controle sobre os detentos. A redistribuição das celas não implicaria aumento de vagas.
Além disso, segundo informações passadas à reportagem, após a reforma haverá uma espécie de grade evitando que os agentes tenham contato direto com os internos. O modelo é usado na Penitenciária de Presidente Venceslau, onde os guardas fecham as celas sem contato físico. Todas as 550 celas que tiveram os vidros das janelas destruídos serão reforçadas com grades. A equipe de engenharia da SAP também prevê a criação de saídas de emergência para os funcionários escaparem em caso de motim.