São Paulo - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem em São Paulo que o Brasil tem condições de diminuir pela metade os juros reais nos próximos anos: “Ao longo do próximo mandato presidencial, é possível que a taxa real de juros no Brasil possa caminhar para um patamar de cerca de 5%”. O valor, segundo ele, equivale à taxa real de juros dos EUA somada a um risco-país por volta de 200 pontos. O nível seria baixo para o histórico brasileiro - atualmente, o risco-Brasil ronda os 220 pontos -, mas similar ao risco atual de países como a Venezuela.
A declaração, feita para uma platéia de empresários durante um fórum organizado pela Câmara Americana de Comércio, foi acompanhada de dados positivos sobre a economia durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição. Mantega tentou desvincular o discurso da perspectiva de campanha eleitoral, afirmando que o Brasil herdaria uma “combinação única” de estabilidade com crescimento, tendo condições de crescer mais de 5% ao ano, independentemente de quem assuma a Presidência. Ademais, idéias como a meta de superávit primário - para ele - não seriam contrariadas por concorrentes de Lula.
Mantega recheou seu discurso com frases como “o objetivo do governo é continuar desonerando a carga fiscal”, ou que essa política fiscal possibilitaria “caminhar para um déficit nominal zero ao longo do próximo mandato”. As projeções do ministro incluem a diminuição do volume relativo da dívida brasileira - hoje em torno de 50,3% do produto interno bruto (PIB) - para 44%, e o aumento do volume de crédito para 50% do PIB em 2010.