09 de julho de 2026
Bairros

Rural não é sinônimo de agricultura, diz Veiga


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Num país que teve sua economia fortemente ligada à agricultura de exportação e no qual a população urbana deixou de ser predominante há relativamente poucas décadas, é difícil não se tratar rural e agricultura como coisas iguais.

Para o economista José Eli da Veiga, a visão é errônea. “As pessoas fazem confusão, pelo fato de as atividades agrícolas serem predominantes no meio rural”, explica ele, que é professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP).

Veiga lembra que a agricultura também pode ser praticada em áreas urbanas. “Às vezes o preço da terra torna viável a prática dessas atividades dentro da cidade, mas isso não quer dizer que as pessoas que a pratiquem sejam ‘rurais’”, salienta.

Para Veiga, o rural é algo muito mais abrangente que a simples prática da agricultura. “Tratam-se de formas de interação que se manifestam nos mais diversos planos da sociedade”, explica.

Muitas vezes, segundo ele, grupos sociais podem viver em espaços urbanos e adotarem um modo de vida rural. “Como também o contrário pode acontecer, de pessoas inseridas num meio dito rural que, pelas condições de vida, reproduzem um modo de vida típico das cidades”, ressalta.

Na definição de Veiga, as idéias de rural e urbano estão ligadas à forma como os habitantes de um determinado local relacionam-se com a natureza que os rodeia. “Rurais seriam locais onde a espécie humana fez poucas alterações. Já urbanos são os locais onde mais ocorreram interferências do homem”, explica.

“Por exemplo, se for tomado o globo terrestre, a área mais rural seria a Antártida e a mais urbana o centro financeiro de Nova York”, completa.