10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Grandes aplausos, pequeno reparo


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Por ocasião do aniversário de Bauru, todos os órgãos de divulgação mostraram um carinho enorme pela nossa cidade. Unimo-nos à imensa multidão que os aplaude, mas reconhecemos que cumprir uma pauta dessa dimensão implica sempre em possíveis falhas. Assim...

Na Globo assistimos ao trabalho de acompanhamento das festividades muito bom mesmo. E vimos uma sinopse da história de Bauru muito bem construída a partir de nomes de ruas. E aqui tomamos a liberdade de cooperar, pelo menos no que se referiu ao meu pai, Octávio Pinheiro Brisolla. Pormenores apenas.

Em primeiro, ele não era carioca. Era paulista de antiga cepa, nascido bem perto daqui, em Lençóis Paulista, cidade em que nasceu a mãe dele, minha avó Francisca Pinheiro Machado, de velha família paulista. O meu avô, Octaviano Martins Brisolla era de Itapetininga, filho de outro paulista, Salvador Brisolla, que foi presente na Convenção de Itu, em 1873, mantendo a tradição política da família, já que era filho de um vereador de Sorocaba, cidade que até hoje tem um pequeno aglomerado que a Globo mostrou anos atrás e que se chama Vila Brisolla. Uma minha prima, Sônia Brisolla Jordão, que é historiadora, não achou nem um Brisolla ancestral nos últimos trezentos anos que não fosse paulista.

Que eu me lembre, meu pai nunca foi ao Rio de Janeiro.

Se houve influência do nome de Leonel Brizolla, lembramos que este político era gaúcho, daí...

E uma coisinha mais: em 1918 houve mesmo o desaparecimento do livro da Câmara para evitar que Octávio Brisolla fosse empossado como prefeito. Mas não deu certo. Ele e os companheiros abriram um livro novo, lavraram a ata de posse e meu pai se empossou.

Quanto a Gustavo Maciel ser adversário político, muito certo. Mas o inimigo de fato seria Eduardo Vergueiro de Lorena, isso no campo político. Esse relacionamento terminou bem, quando por volta de 1950, muito doente, o dr. Lorena chamou meu pai em São Paulo para se reconciliar, episódio que sempre seria lembrado em casa com grande emoção. Tempo de gigantes aquele!

Voltando ao trabalho da Globo. Foi uma iniciativa muito bem feita e que precisa ser seguida para que as crianças, em primeiro, e todos nossos habitantes depois aprendam quem foram aqueles que aqui viveram, lutaram, sonharam, tiveram alegrias e dores, trabalharam e abençoaram nossa Bauru com o suor e as lágrimas que derramaram neste solo tornando-o o berço de seus filhos.

Marco Aurélio Pinheiro Brisolla - OAB 10.079