09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Guerras - Feridas quease cicatrizadas, que magoadas, voltam a sangrar


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Aproximaram-se certa vez de Jesus os seus discípulos, com a pergunta: “Que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” (Mateus 24:3).

Os discípulos compreendiam perfeitamente que o fim do mundo seria na segunda vinda de Cristo, como se vê pelo fato de eles ligarem uma coisa com a outra. Queriam, porém, saber quais os sinais que deviam anunciar a aproximação desse grande dia. E Jesus, respondendo, disse-lhes: “E ouvireis de guerras e rumores de guerras... Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino e haverá fomes e pestes, e terremotos, em vários lugares” (Mateus 24:6-7).

Embates bélicos tem havido desde o início do mundo, mas Jesus fala de guerras de aspectos e proporções diferentes das que a humanidade tem testemunhado. Quando tais guerras se desencadeassem, deveriam servir de sinal da proximidade do fim.

Acaso tem tido precedentes na história o embate de 1914-18, que envolveu 38 povos, com 62,8 milhões de soldados a se digladiarem nos campos de batalha, e cujos resultados foram: 10,2 milhões de soldados mortos, 21,1 milhões de feridos, e 7,6 milhões de prisioneiros a perecer nos campos de concentração?

Que se dirá da carnificina que ensangüentou o mundo nesta última guerra de 1939 a 1945? Quanto ela não ultrapassou, em proporções, a hecatombe da primeira guerra mundial? Esta última, segundo se calcula, custou 30 milhões de mortos, além de muitos milhões de feridos, muitos milhares de aviões e tanques foram destruídos, e outros tantos navios foram para o fundo do mar. Lancemos um olhar retrospectivo à cidade de Hiroshima, no Japão, onde uma explosão atômica fez 130.000 vítimas. Poderá alguém ainda duvidar que estas coisas sejam um cumprimento fiel das palavras de Cristo: “E ouvireis de guerras e rumores de guerras... Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino...”? E o que a humanidade não terá que testemunhar quando rebentar a próxima guerra mundial?

Disse alguém com propriedade que os acontecimentos da atualidade no mundo científico, econômico, político e religioso são prenúncios de uma grande catástrofe mundial. É quase geral o sentimento de que o fim de todas as coisas está às portas. Crítica é a situação em que se acha atualmente a humanidade, e parece fugir-lhe toda perspectiva de dias melhores. As coisas no terreno econômico, social, político e religioso, realmente vão de mal a pior. Este mundo tal qual um velho arcado pelos anos, de cabelos brancos, enrugado, cardíaco e caduco, parece não ter mais esperança de reabilitar-se.

Lançando um olhar ao passado, vê o rumo errado que tomou, as muitas “cabeçadas” que deu, a saúde que sacrificou no altar da vida desregrada, o precioso tempo que desperdiçou. E olhando ao futuro, somente se lhe afigura a tumba. Os estadistas, quais médicos em desespero lhe prescrevem toda sorte de remédios, a ver se podem restaurá-lo, ou, pelo menos, prolongar-lhe a vida. Mas as forças se lhe esvaecem mais e mais. Já nem pode levantar-se do leito. A qualquer momento, dizem, poderá sofrer um colapso cardíaco.

Os homens estão enchendo cada vez mais as faculdades, estão enchendo cada vez mais as mãos de diplomas, mas estão empobrecendo cada vez mais os espíritos. Disse alguém: “Vale mais um bom homem à cavalo, do que um mau homem de avião.”

O homem foi criado à imagem de Deus, conforme as Escrituras Sagradas (Gênesis 1:27). Mas quem dentre os homens revela em seu caráter a imagem divina? O homem degenerou-se terrivelmente e continua a degenerar-se, pelos crimes, roubos, enganos, violência, estupros, etc... noticiados diariamente, através da mídia falada, escrita e televisada, temos a impressão de estar vendo verdadeiros demônios travestidos de homens. O ser humano perdeu a imagem divina, e por quê? Porque o homem abandonou totalmente a Deus em todos os seus pensamentos, palavras e atos.

Existem dois lados em todas as questões, disse alguém, o meu e o errado. Quero concluir dizendo aos que estão em litígio (em briga): se você quer ser feliz por um momento, vingue-se, mas se quer ser feliz para sempre, perdoe. E que enquanto houver arrependimento no coração do homem, haverá perdão no coração de Deus.

Para a humanidade em geral, de fato, não há mais esperança de um futuro melhor. Individualmente, porém, quando o presente estado de coisas chegar ao seu termo, poderemos alcançar dias mais ditosos, se formos havidos por dignos de alcançar o mundo por vir. Não padece dúvida de que Deus em misericórdia há de intervir neste planeta muito em breve, e aqui implantar uma nova ordem de coisas em que a justiça e o amor hão de reinar absolutos, da qual conceda Deus que também o prezado leitor possa tornar-se participante. Estes são os meus sinceros votos.

Ranulfo Marinho - 5.541.398