09 de julho de 2026
Internacional

Líbano rejeita proposta de cessar-fogo

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Beirute - O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, disse ontem que a proposta de resolução do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), elaborada por EUA e França, para um cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista libanês Hizbollah não é do interesse do Líbano e que o povo libanês irá rejeitá-la, a menos que inclua o plano do governo do país para o fim do conflito.

“O Líbano, todo o país, rejeita quaisquer negociações e qualquer proposta de resolução que não inclua o plano de sete tópicos do governo”, declarou Berri. O plano foi apresentado pelo primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, em um encontro em Roma (Itália), no dia 26 de julho.

Entre os pontos do plano do governo libanês estão o cessar-fogo imediato, a libertação de prisioneiros tanto em Israel quanto no Líbano e a retirada das tropas israelenses do Sul do país, além da manutenção do controle da região pelo governo libanês apoiado por uma força internacional.

Já a proposta da França e dos EUA deve ser submetida à apreciação do CS nos próximos dias. O texto pede ao Hizbollah que cesse suas operações e a suspensão da ofensiva israelense contra o Líbano, mas dá ao país o direito de revidar se o Hizbollah quebrar o cessar-fogo. O texto, no entanto, não prevê a retirada imediata das tropas israelenses do Sul do Líbano.

Berri afirmou que o texto é fundamentalmente favorável a Israel. “Se Israel não venceu a guerra, mas mesmo assim ganhou tudo isso, o que teria acontecido se tivesse ganhado a guerra?” “Sempre falamos sobre um cessar-fogo imediato. Nunca falamos sobre interromper as operações militares porque isso, de certo modo, é como legitimar a ocupação, como se a guerra fosse legítima”, acrescentou.

O embaixador americano na ONU, John Bolton, disse ontem que a resolução a ser avaliada pelo CS é a primeira de duas: a primeira irá lidar com o fim dos combates; a segunda, a ser apresentada em até duas semanas, é semelhante à que propôs Siniora em Roma: a expansão de uma zona no Sul do país sem soldados israelenses e sem membros do Hizbollah, a ser controlada pelo Exército libanês e por forças de paz internacionais.

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O que diz a resolução

Beirute - O texto da proposta do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) exige, além do cessar-fogo imediato, o desarmamento do Hizbollah e a definição clara das fronteiras do Líbano - principalmente a região das fazendas de Shebaa, território controlado por Israel desde 1967 - e um embargo à venda de armas a qualquer grupo no Líbano, exceto ao governo.

A proposta, no entanto, ignora exigências do governo libanês, como o fim de todas as operações militares de Israel na região, e não apenas das defensivas; a falta de um cronograma para a retirada dos soldados israelenses do sul do Líbano; a solução da disputa pelas fazenda de Shebaa no âmbito da ONU; e a suspensão imediata do bloqueio israelense ao Líbano, imposto depois do início do conflito.

Sobre a libertação de prisioneiros, o texto ressalta mais a libertação dos soldados seqüestrados pelo Líbano no dia 12 do mês passado, mas é mais leniente sobre a libertação de prisioneiros libaneses detidos em Israel - apenas encoraja esforços “destinados a resolver a questão”. O Líbano quer que os prisioneiros sejam libertados ou que a ONU intermedie a troca.