A partir de hoje, não haverá mais disputas de computadores entre os jovens de baixa renda que buscam um futuro melhor através do Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips), que oferece cursos de capacitação profissional para estudantes de 14 a 18 anos. Os 1.300 alunos atendidos pela organização, que antes costumavam se sentar em duplas, ganharam uma nova sala de informática, equipada com 36 máquinas doadas pela Caixa Econômica Federal (CEF).
A inauguração do novo espaço para informática foi marcada pela emoção. Os olhos do presidente do Cips, José Carlos Previdello, se encheram de lágrimas durante o discurso para os estudantes. “Eu, em nome da organização, digo que estamos muito gratos pela disposição da Caixa em doar os computadores. É muito bom perceber que ainda existem empresas que olham para o lado social”, destaca o presidente, que discursou ao lodo de Sônia Franciscato, diretora do expresso de Prata e uma das fundadoras da instituição.
O gerente geral da CEF em Bauru, Vanderson Vieira, também estava presente e explicou como surgiu a idéia de doar as máquinas. “De tempos em tempos a Caixa faz uma reformulação em seu parque computacional. Esse ano tínhamos 300 equipamentos praticamente novos que foram retirados de agências de Bauru. Todos eles foram doados a instituições da cidade. Um dos contemplados foi o Cips”, explica o gerente geral.
“Consideramos primordial ajudarmos pessoas que não tem fácil acesso à informática, já é um conhecimento obrigatório atualmente”, completa Vieira. Além da CEF, o Banco do Brasil e o Expresso de Prata também colaboram com a instituição, que é mantida através de convênios com entidades do terceiro setor e órgãos governamentais.
O professor de informática do Cips, César Augusto Rosa, comemorou, junto com os jovens, a chegada dos novos equipamentos. “A capacidade de ensino vai dobrar. Como nós tínhamos apenas vinte computadores, era difícil atender a todos. Agora poderemos fazer uma rotatividade maior de alunos”, ressalta o professor, que aprovou a qualidade das máquinas. “Esses micros estão muito além das nossas necessidades. Vai dar para desenvolver diversos trabalhos legais”, comemora.
A estudante Lais Cristina de Freitas, que realiza cursos profissionalizantes do Cips há três anos, também aprovou a iniciativa da CEF. “Quem dera nós tivéssemos mais doações desse tipo”, afirma a garota de 17 anos, que hoje auxilia na recepção da organização, mas já fez os cursos de telemarketing, auxiliar administrativo, marcenaria e iniciará o de marketing pessoal. “Esse é um dos melhores lugares para capacitação de jovens e encaminhamento ao mercado de trabalho”, ressalta.
Outro estudante, Diego do Nascimento, de 16 anos, que todos os dias vem da Vila Paraíso até a região Central da cidade para fazer cursos na CIPS, também aprovou a nova sala de informática. “Esse computadores novos vão melhorar ainda mais as condições de aprendizagem para a gente. Todos nós estamos aqui porque precisamos e queremos melhorar nossas vidas através da capacitação profissional”, destaca o estudante.
Organização
As atividades do Cips começaram na década de 1960, quando era conhecido como projeto “Reco Reco”. De lá para cá o nome mudou e a estrutura também. Cerca de 1.300 jovens de 14 a 18 anos participam de cursos profissionalizantes na área de hotelaria, almoxarifado, atendimento a cliente, telemarketing e marketing pessoal. Também são realizadas atividades de esporte, lazer e informática. Somente jovens que comprovarem ter baixa renda familiar podem participar, mas os interessados têm que esperar vagas pelo período de até um ano, devido à grande demanda. O Cips fica na Rua Inconfidência, nº 2-28, Centro.
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Cips criança
Um novo projeto está em fase final de desenvolvimento no Cips. É o Cips Criança que irá desenvolver atividades com crianças de 7 a 12 anos, mas ainda não tem data para começar a funcionar. As instalações já estão prontas, esperando apenas o encaminhamento das “felizardas”, que será feito pelo Sistema Único de Assistência Social (Suas).
De acordo com a assistente social e coordenadora técnica do Cips, Marilucia Mauad, o projeto atenderá 120 crianças de baixa renda, como filhos de vendedores ambulantes e catadores de papel. “Parece que o município já tem essa demanda de crianças que estão fora da escola e vem com os pais ao Centro da cidade para trabalhar ou mesmo acompanhá-los”, diz a coordenadora.
As crianças irão desenvolver atividades de recreação e reforço escolar durante o período que estiverem na instituição. “Fugimos de atividades com estilo aula, justamente para eles gostarem de passar o tempo aqui. Os principais focos das atividades serão lúdicas. No entanto, também iremos ensinar, mas através de atividades recreativas”, explica Marilucia.