08 de julho de 2026
Regional

Conta de telefone gera reclamação

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Barra Bonita - O Conselho de Defesa do Consumidor (Condecon) de Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) registrou um número expressivo de reclamações, nas últimas semanas, de moradores que teriam recebido conta de telefone com valores altos. Suspeita-se que as ligações sejam frutos de grampos telefônicos, supostamente feitos por criminosos no período das rebeliões ocorridas nas cadeias de Barra Bonita e Igaraçu do Tietê.

Segundo o diretor do Condecon, João Batista Missão, em um único dia (quinta-feira), o órgão de defesa do consumidor registrou 14 reclamações de moradores das duas cidades. O motivo das reclamações seriam os altos valores nas contas de telefone recebidas pelos assinantes nos últimos dois meses.

Missão suspeita que as ligações registradas nas faturas tenham sido feitas através de centrais clandestinas utilizadas por criminosos para se comunicar com presos dentro das cadeias. “Eles (os criminosos) montam as centrais clandestinas, grampeiam alguma linha, utilizam a linha e depois a descartam”, acredita.

De acordo ele, já se tornou comum, sempre que ocorrem rebeliões, as contas telefônicas de alguns moradores de cidades onde existem cadeias serem altas nos meses subsequentes. “A maior parte das ligações foram efetuadas em dois ou três dias, depois já mudam para outro número. É tudo celular, não tem uma ligação convencional”, comenta.

Somente neste mês, o Condecon registrou 30 reclamações. “Nós pedimos à Telefônica o desmembramento dessas ligações para que a pessoa pague a assinatura e para que não sofra o desligamento da linha”, avisa Missão, ressaltando que, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, a companhia telefônica tem que zelar pela linha do cliente.

De acordo com Missão, a maioria dos assinantes que procurou o Condecon são moradores das redondezas das cadeias. “A minha mesa está abarrotada só de reclamações sobre isso. Fazia tempo que não tinha, mas a gente já está acostumado porque após as rebeliões isso acontece”, lamenta.

Moradora de Barra Bonita, Rosemar da Cruz disse que vieram registradas 42 ligações desconhecidas de celular na fatura de seu telefone. “Era de celular para a minha casa. A minha conta, só de um telefone celular veio cerca de R$ 180,00, referente ao mês de junho. Eu não paguei a conta porque veio muito alta. Depois veio mais quatro ligações no mesmo celular. Eu não conheço este número”, conta, lembrando que normalmente sua fatura mensal fica em torno de R$ 90,00 a R$ 100,00, dependendo do uso.

O valor da conta do telefone residencial que está no nome da filha de Aparecido Jorge da Cruz passou dos R$ 1,3 mil. “Veio uma diferença muito grande porque aqui a gente está acostumado a gastar, no máximo, R$ 105,00 por mês e veio R$ 1.332,09”, detalha Cruz.

Segundo ele, o telefone de sua filha teria ficado grampeado durante três dias, no período das rebeliões ocorridas na cadeia de Barra Bonita.

O diretor do Condecon disse que já entrou em contato com a companhia telefônica e espera que ela suspenda a cobrança das ligações.

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Telefônica

A assessoria de comunicação da Telefônica informou, ontem, que os casos já teriam sido solucionados sem prejuízo aos clientes de Barra Bonita.

Conforme a nota da assessoria, a ativação do serviço de transferência de chamada é feita pelo próprio usuário em seu telefone fixo. Assim, se o cliente não digitar a seqüência numérica solicitada pela pessoa que liga para aplicar o golpe, a linha não será transferida.

Para evitar o uso indevido do serviço, a Telefônica vem fazendo uma ampla campanha de esclarecimento, com anúncios em TV, jornal e rádio, mensagem em conta e gravação na espera da Central de Atendimento.

Em caso de dúvida, a Telefônica coloca à disposição sua Central de Relacionamento pelo telefone 10315, que funciona 24 horas nos sete dias da semana.