08 de julho de 2026
Internacional

Líbano quer enviar Exército ao Sul

Por Marcelo Ninio | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Beirute - O governo libanês anunciou ontem que aceita enviar 15 mil homens para a fronteira com Israel, área hoje controlada pelo Hizbollah, no que pode ser o primeiro passo para um entendimento que leve ao fim dos combates. O gabinete, que tem dois ministros do Hizbollah, ressalvou, no entanto, que o envio será condicionado à retirada das tropas israelenses que estão no Sul do país.

A saída do grupo da região e seu desarmamento são as principais exigências de Israel para suspender a ofensiva iniciada no último dia 12, após o seqüestro de dois de seus soldados.

Em outro desdobramento diplomático, a Liga Árabe decidiu ontem, em reunião de emergência realizada em Beirute, enviar uma missão a Nova York para pressionar por mudanças no projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o conflito - que segundo o primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, já deixou mil mortos no país.

A resolução elaborada por EUA e França pede “a suspensão imediata pelo Hizbollah de todos os ataques e a suspensão por Israel de todas as operações militares ofensivas”.

De acordo com diplomatas dos dois países, uma segunda resolução estabelecerá a força de paz internacional que ajudará o Exército do Líbano a controlar o Sul do país, dominado pelo Hizbollah desde a retirada de Israel em 2000.

Estados Unidos e França reagiram de forma diferente às críticas do Líbano à proposta de resolução. O chanceler francês, Philippe Douste-Blazy, afirmou que o texto não deveria ser submetido sem considerar as demandas do Líbano e dos países árabes. Ele sugeriu que a região fronteiriça de Shebaa, reivindicada pelo Líbano e ocupada por Israel, ficasse sob jurisdição da ONU.

Já o presidente americano, George W. Bush, de férias em sua fazenda no Texas, afirmou que não poderia ser criado um “vácuo aonde o Hizbollah e seus patrocinadores possam movimentar mais armas”.

No encontro da Liga Árabe em Beirute, Siniora teve que corrigir a denúncia que fizera horas antes, em lágrimas, de que um ataque israelense havia matado 40 civis na cidade de Houla, no sul do país. Posteriormente, disse que o ataque provocou uma morte.

Além do prédio em Houla, aviões israelenses voltaram a bombardear o leste e o Sul do Líbano e o Sul de Beirute, matando 55 pessoas. Em pronunciamento aos diplomatas árabes que foram a Beirute apoiar o Líbano, Siniora expressou sua oposição à proposta que está prestes a ser votada na ONU.

“Ela mal conduz a um cessar-fogo”, disse o premiê, chorando. “Nós queremos um cessar-fogo permanente e total.” Ao corrigir o número de mortos em Houla, Siniora manteve a classificação de “massacre” para o bombardeio israelense de ontem.

“Descobriu-se que uma pessoa foi morta”, disse o premiê. “Eles pensaram que o prédio havia caído sobre as cabeças de 40 pessoas. Graças Deus, se salvaram.”