09 de julho de 2026
Polícia

Pelo menos 5 agentes deixam suas casas com medo do PCC

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

A terceira onda de ataques atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC) começou na madrugada de ontem na Capital e algumas cidades do Interior, antecipando o boato de que os atentados seriam retomados por ocasião do Dia dos Pais, domingo. Mas antes, há cerca 20 dias, cinco agentes penitenciários de Bauru deixaram suas casas com medo da facção. O JC apurou que eles receberam informações de que estavam jurados de morte e saíram de suas casas na madrugada. E outros agentes pretendem deixar suas residências antes do Dia dos Pais porque temem pela segurança. A estimativa é que 2,5 mil pessoas trabalhem nas penitenciárias da região.

A Polícia Civil e a Polícia Militar conhecem boatos de que a facção planejaria atacar funcionários de presídios, mas afirmam não ter ajudado nenhum deles a deixarem suas residências porque não teriam indícios de que os boatos se concretizariam. Mesmo assim, outros estão planejando adotar a mesma estratégia. “Já vou sair de casa na quinta-feira à noite. Vou levar a família para algum lugar e só volto no domingo”, conta um agente penitenciário, que preferiu não ter o nome divulgado.

Ele revela que o diretor da unidade prisional onde trabalha orientou os funcionários a mudar a rotina e evitar bares durante o período. Os presidiários beneficiados com a saída temporária vão deixar as prisões na quinta-feira e só retornam na próxima semana. Um outro agente penitenciário confirma que há três semanas cinco colegas de outras unidades tiveram de ser retirados de suas casas durante a madrugada. “Eles estavam jurados de morte. E de acordo com os boatos, o “serviço” ia ser feito por ex-presidiários do Instituto Penal Agrícola (IPA)”, revela. Segundo um funcionário, policiais teriam interceptado ligações que confirmariam a intenção das ações. Os cinco agentes ameaçados estão afastados do serviço, por medida de segurança.

O coordenador operacional do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), major Wellington Venezian, explica que a PM, por conta da série de ataques, tem realizado rondas em casa de autoridades, policiais e agentes penitenciários, mas garante desconhecer ações de retirada de funcionários de presídios de suas casas. Silberto Sevilha Martins, titular da Delegacia Investigações Gerais (DIG), também garantiu que não houve nenhuma ação semelhante.

____________________

Orientação

Alvos do Primeiro Comando da Capital (PCC), os agentes penitenciários ainda não foram vítimas de nenhum atentado em Bauru e região. Ainda assim, o Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista (Sindcop) vai se reunir com o comando da PM para solicitar proteção aos servidores. De acordo com dados da entidade, cerca de 2 mil pessoas estão filiadas ao Sindcop.

O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) orienta a categoria a evitar lugares públicos e a alterar o trajeto que percorre ao ir da casa para o trabalho e também solicitar a presença da polícia ao detectar movimentações fora do comum próximas a suas casas.