10 de julho de 2026
Geral

Colesterol avança em crianças por causa do fast food e computador

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 4 min

Uma criança de 10 anos com colesterol alto, doença até pouco tempo quase exclusiva de adultos e idosos, é possível? Não só é possível como pesquisas revelam que a incidência vem aumentando. E isso se deve, em grande parte, aos hábitos das crianças da chamada era da Internet. Ao ficar mais tempo em frente ao computador, elas fazem menos exercícios físicos e, apesar das recomendações dos médicos, nutricionistas e até dos pais, muitas ainda insistem em consumir fast food em grande quantidade. Hoje é uma data propícia para pensar nisso, já que é o Dia Nacional de Combate ao Colesterol.

De acordo com o cardiologista Rubens Emil Cury, o número de crianças com problemas de colesterol vem aumentando gradativamente, ano a no. “O índice de hipercolesterolemia vem crescendo pontualmente, principalmente nas crianças que praticam poucas atividades físicas e têm o fast food, como salgados e lanches, como base na alimentação”, destaca. Ele revela ainda que, do total de consultas que faz durante a semana, cerca de 5% são dedicadas a crianças.

Com a invenção e popularização dos computadores, principalmente entre as classes média e alta, as crianças deixaram de realizar atividades consideradas comuns na época de seus pais. “Precisamos que nossa juventude se torne mais ativa. Hoje, ao invés das crianças brincarem em ruas e parques, correndo, soltanto papagaio e andando de bicicleta, por exemplo, elas sentam-se em frente ao computador e passam horas ali. Isso é uma realidade” aponta o cardiologista.

“As crianças, hoje, se tornaram muito sedentárias. Temos que chamar a atenção para a hipercolesterolemia, que pode ser tratada como um problema de saúde pública. É preciso estimular o controle do peso e o aumento das atividades físicas”, completa Cury.

Segundo o médico, existem pesquisas indicando que até mesmo as escolas podem contribuir para a diminuição do número de crianças com problemas de colesterol. “Temos conhecimento de trabalhos realizados nos Estados que mostram que o número de crianças com problemas de colesterol varia em virtude dos alimentos vendidos em suas cantinas. Nas escolas onde existe o controle nutricional da merenda, o número de alunos com colesterol é muito menor”, ressalta.

No entanto, a elevação dos níveis de colesterol também pode acontecer por fatores genéticos. “Crianças que possuem histórico de enfarte e colesterol alto na família são mais propensas a ter a colesterol mais cedo. Por exemplo, se com 50 anos o pai tem algum distúrbio coronariano, é necessário fazer exames mais precocemente nos filhos”, explica o médico.

Fatores hereditários

O cardiologista Claudir Turra Júnior concorda com o colega. “A hipercolesterolemia é uma doença que traz fatores hereditários. No entanto, todas as famílias deveriam fazer exames nos filhos a partir de 8 anos. Se no primeiro exame não for detectada nenhuma alteração, a família pode ficar tranqüila e procurar o médico somente na adolescência”, ressalta Turra, que trata de 20 crianças com problemas de colesterol alto em seu consultório.

Ele indica ainda que quanto mais cedo se constatar o problema, menores são as chances de problemas do coração no futuro. “O enfarte não acontece de uma hora para outra. Ele é o resultado de um processo que dura anos. Quanto mais cedo se descobre o colesterol alto, mais cedo se inicia a dieta. Isso reduz demais os riscos”, diz o cardiologista.

Segundo Turra, os casos de colesterol infantil estão sendo descobertos de forma mais precoce devido à ação dos pediatras. “Eles estão mais atentos. Hoje em dia tem que ser rotina medir a pressão e indicar exames preventivos, como o de colesterol, e não somente aqueles de praxe, como fezes e urina”, explica.

De acordo com o cardiologista, na maioria dos casos envolvendo crianças não é necessária a utilização de remédio no tratamento. “Dos meus 20 pacientes, apenas quatro, que têm casos mais graves, tomam remédios. A grande maioria é resolvida apenas com a dieta alimentar”, revela Turra, que indica carnes gordas, derivados do leite, gema de ovo e frituras em geral como os maiores vilões para as crianças.

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O que é

O colesterol pode ser considerado um tipo de gordura produzida no organismo. Ela está presente em alimentos de origem animal, como carne, leite e ovos. No organismo humano, essa gordura desempenha várias funções vitais importantes, produzindo hormônios e vitaminas. No entanto, o excesso no sangue é prejudicial e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

Existem dois tipos de colesterol no sangue: o LDL, conhecido como “colesterol ruim” - já que pode se depositar nas paredes das artérias e provocar entupimentos em artérias (arterioesclerose), e o HDL, conhecido como “colesterol bom” - que retira o excesso para fora das artérias, impedindo o seu depósito e diminuindo a formação de placas de gordura.

A arteriosclerose consiste no endurecimento das paredes dos vasos sangüíneos causado pelo depósito de gordura em suas paredes. Isso ocorre quando os níveis de colesterol no sangue são altos, se combinados com o fumo, o estresse, a vida sedentária ou a pressão alta.