11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Empresários criticam primeiro semestre, mas apostam no segundo

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A mais recente pesquisa “Rumos da indústria paulista”, realizada pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) no mês passado, confirma o que algumas lideranças empresariais de Bauru já haviam adiantado em matérias publicadas pelo Jornal da Cidade. Entre os 694 empresários ouvidos em todo o Estado, incluindo Bauru, 44% responderam que o primeiro semestre deste ano foi pior do que o mesmo período do ano passado. Empatadas com 28% ficaram as respostas “melhor” e “igual”.

Entretanto, para a pergunta “qual sua expectativa para o 2.º semestre de 2006 com relação aos negócios de sua empresa”, a resposta vencedora também com 44% foi “otimista”. Em segundo lugar, com 35%, vem a resposta “indiferente, deve permanecer a mesma situação”. Em seguida, com 15% dos entrevistados ficou a resposta “pessimista” e, empatados em 3%, “muito otimista” e “muito pessimista”.

Ainda segundo a pesquisa à qual o JC teve acesso, no primeiro semestre de 2005 foi menor o número de empresários que consideraram o período pior que o do ano anterior: 38%. Nessa mesma comparação, 37% acharam que foi melhor e 25%, igual.

“Essa pesquisa reflete fielmente a realidade de Bauru. No ano passado, a expectativa era de que 2006 seria melhor. Mas isso, infelizmente, não está se confirmando. Há uma série de fatores que explicam, mas entre os principais eu colocaria o aumento das despesas da população e o crescimento pífio do País. Houve uma explosão do crédito, mas as despesas cresceram em proporção maior. Em outros anos, o percentual de empresários otimistas era maior que o dessa pesquisa”, avalia o diretor regional do Ciesp em Bauru, Ricardo Coube.

Mais despesas

O empresário do ramo gráfico observa que, com a inflação baixa, de maneira geral não têm ocorrido significativos reajustes salariais. Além disso, ele cita o aumento dos valores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) - conforme o JC divulgou em fevereiro deste ano, em alguns casos o crescimento do valor chegou a 400% -, a cobrança da taxa de esgoto e o reajuste das tarifas de água.

“Até os supermercados registraram faturamento menor no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso é um grande termômetro do peso das finanças familiares. Os juros, apesar de baixos para os padrões brasileiros, ainda são os mais altos do mundo. Do lado dos empresários, os exportadores estão sofrendo com o câmbio (dólar desvalorizado frente ao real). Ou seja, estão exportando a mesma quantidade de mercadorias, mas tendo um retorno financeiro menor”, descreve Coube.

Em sua avaliação, não há grandes expectativas de crescimento do mercado interno até o final do ano. O empresário também não espera grandes mudanças de resultados para o segundo semestre deste ano.

“Historicamente, os últimos seis meses do ano sempre são melhores do que os primeiros. É quando ocorre a maioria dos dissídios de trabalhadores, a produção em vários setores aumenta em função do Natal e os consumidores utilizam o 13.º salário. Mesmo assim, acredito que os reajustes salariais dos trabalhadores não ultrapassem 6%”. Acho que não vai mudar muita coisa em relação ao primeiro semestre”, projeta o diretor regional do Ciesp.

Esperança

Concorda com ele o empresário Jair Manfrinato, proprietário de uma fábrica especializada em mobiliário escolar com 65 empregados. “O cenário político conturbado tem atrapalhado muito, mas sempre temos a esperança de que o segundo semestre do ano será melhor. Eu espero que a política se renove e que as pessoas certas sejam colocadas nos cargos para que a administração pública melhore.”

Para Manfrinato, um dos grandes problemas que afligem a classe empresarial ainda é a alta carga tributária, e pondera que sem uma boa administração pública, não há como reduzir a incidência de impostos.

“Antigamente, a China tinha produtos baratos, mas de baixa qualidade. Hoje os chineses têm preços muito baixos e qualidade nos produtos. Os empresários precisam ter condições de lutar contra esse e vários outros dragões que rondam o Brasil”, reivindica.

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Outras respostas

A pesquisa “Rumos da indústria paulista” foi concluída durante o último mês de julho. O questionário elaborado pela Gerência de Pesquisa e Cadastro do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) foi respondido por 694 empresas, sendo 63% de micro e pequeno porte (até 99 funcionários), 30% de médio porte (de 100 a 499 empregados) e 7% de grande porte (acima de 500 trabalhadores).

Além dos dados citados acima, em relação às expectativas dos empresários para o segundo semestre deste ano foram obtidos os seguintes resultados nas últimas três pesquisas com a resposta “otimista”: 41% em julho do ano passado, 49% em dezembro e 44% em julho deste ano.

A resposta “deve permanecer a mesma situação” foi escolhida por 27% dos entrevistados em julho do ano passado, 31% em dezembro e 35% na última pesquisa. Já os pessimistas foram 25%, 12% e 15%, respectivamente.

Para a pergunta sobre se existe a intenção das empresas investirem em novas contratações neste segundo semestre, 74% responderam que não e 26%, responderam sim.

Sobre os investimentos das empresas em 2006, 64% responderam que investiram ou vão investir e 36% disseram que não farão investimentos no negócio neste ano. Entre as que estão investindo, a maioria - 23% - estão comprando novas máquinas, resposta seguida pela qualificação da mão-de-obra (18%) e lançamento de novos produtos (18%).