São Paulo - “A porta de soltou e bateu na asa do avião. Todo mundo entrou em pânico. Uma aeromoça que estava perto da porta ficou se segurando para não cair do avião”, conta a estudante Camila Silva, 24 anos, uma das 79 passageiras do vôo 3040 que ia de São Paulo para o Rio na tarde de ontem. Poucos minutos depois de decolar, a porta dianteira, no lado esquerdo do avião - um Fokker 100 - se desprendeu.
A peça caiu sobre um supermercado da rede Extra na avenida Ricardo Jafet, no Ipiranga, zona sul de São Paulo. O piloto voltou para Congonhas, pousando 17 minutos depois de iniciar o procedimento de decolagem. Ricardo Kocher, 39 anos, que pegaria um vôo para a Suíça no Rio, era um dos mais indignados. “E se fosse a uma altitude maior? O que iria acontecer? A porta passou raspando da asa”, questiona. “Uma aeromoça que estava perto da saída ficou toda descabelada e teve que se segurar para não ser jogada para fora”, completa.
A dona de casa Edna Lopes Bezerra, 39 anos, diz que não vai esquecer tão cedo do susto. “É um trauma para o resto da vida. Achei que ia morrer. Não sei mais quando vou voar de novo”, diz. Segundo os passageiros ouvidos pela reportagem, uma das aeromoças afirmou que o problema pôde ser contornado facilmente porque o avião estava em baixa altitude. Mesmo assim, ao menos dois passageiros receberam atendimento médico no aeroporto por nervosismo ou problemas de pressão.
Maria de Lourdes Moreira, 48 anos, também dona-de-casa, ia para Maceió passar férias, mas desistiu de embarcar novamente ontem. “Todo mundo entrou em pânico. Eu só rezei para Deus para rever meus filhos”, conta Moreira. Em nota, a TAM informou que “as causas do ocorrido já estão sob investigação das equipes de segurança de vôo das autoridades aeronáuticas e da própria empresa”.
Na mesma nota, a empresa afirma que não há indícios de falha mecânica. “O avião estava com sua programação de manutenção rigorosamente em dia”, diz o documento.