07 de julho de 2026
Internacional

Aumenta o isolamento do Líbano

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Tel Aviv - Um dia depois de registrado o maior número de mortos do lado libanês desde o início do conflito, 77, Israel completou ontem o isolamento do Sul do Líbano com a destruição da principal ponte de acesso à região, sobre o rio Litani, a 20 km da fronteira, e impôs um toque de recolher sem prazo definido na região - todos os veículos que saírem às ruas correm risco de ser bombardeados.

Com isso, agências humanitárias anunciaram que não poderão mais levar ajuda à população. Em 28 dias de ataques de Israel no Líbano, iniciados em retaliação ao seqüestro de dois de seus soldados pelo grupo terrorista Hizbollah, morreram 605 civis no Líbano e 36 em Israel, segundo os ministérios da Saúde dos dois países.

As baixas militares israelenses somam 65, e o Hizbollah, estima Israel, perdeu mais de 400 guerrilheiros - o grupo admite 55. O conflito forçou cerca de 900 mil libaneses a deixarem suas casas, segundo a ONU. A maioria encontrou refúgio em casas de famílias e em instituições públicas de Beirute, ou nas montanhas do Norte do Líbano.

“A área ao sul do rio Litani virou uma zona de exclusão”, disse Vincent Houver, chefe de operações da Organização Internacional de Migração, em Beirute. “A cidade de Tiro está isolada”, disse Robin Lodge, porta-voz do Programa Mundial de Alimentação da ONU.

As agências humanitárias afirmam que a falta de combustível ameaça parar usinas de energia, estações de tratamento de água e hospitais no sul do Líbano a partir de amanhã. O ministro da Saúde, Mohammad Khalifeh, disse que o combustível é suficiente para manter os hospitais por dois ou três dias.

Um carregamento de 87 mil toneladas de combustível está parado sob o bloqueio naval imposto por Israel. Os donos dos navios exigem garantia de segurança por escrito.

Novos ataques

Depois de dizer que os ataques não teriam limites, Israel bombardeou 14 aldeias no Sul do Líbano e seguiu com os combates terrestres, além de decretar o toque de recolher na área para evitar o envio de foguetes, armas e homens para o Hizbollah.

Comboios de ajuda humanitária poderão passar se pedirem autorização antecipada. Em Ghaziyeh, pelo menos 14 pessoas morreram e 23 foram feridas em um bombardeio. O ataque aconteceu no momento em que eram enterradas vítimas dos bombardeios de anteontem.

Testemunhas disseram que 1.500 pessoas fugiram em pânico. O Exército afirma que o prédio atingido não ficava perto do local dos enterros e pertencia ao Hizbollah. Cinco pessoas morreram na explosão de caminhões-tanques atingidos por Israel perto da fronteira síria, e no sul de Beirute, seguiram as operações de resgate nos escombros de dois prédios atacados na véspera.

Mais 28 corpos foram retirados, elevando o saldo de anteontem para 77. Em Bint Jbeil, onde ocorrem os confrontos terrestres mais pesados, quatro soldados israelenses foram mortos pelo Hizbollah. O grupo disparou mais cerca de 160 foguetes contra o Norte de Israel, que atingiram Acre, Naharia, Tzfat e Tiberíades, e Kiriyat Shmone. Duas pessoas ficaram feridas.

Já o Exército de Israel disse que matou cerca de 30 guerrilheiros e capturou mais de 20 desde segunda-feira. Israel ameaça expandir ainda mais a atividade militar se não houver uma solução diplomática em breve.

O premiê Ehud Olmert disse esperar planos do Exército para aumentar a presença no sul do Líbano. A mídia israelense vem reportando fortes divergências na cúpula militar do país sobre a condução da guerra.

Ontem, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Dan Halutz, interferiu no comando norte do Exército e colocou seu vice, Moshe Kaplinsky, para liderar a ofensiva no sul do Líbano. Segundo o governo em Israel, 300 mil pessoas deixaram o Norte do país por causa dos ataques do Hizbollah, e 1 milhão passa a maior parte do tempo em abrigos subterrâneos.

As autoridades lançaram um programa para retirar até 14 mil moradores da região de Kiriyat Shmone, a mais atingida. Eles serão levados para um período de “alívio” em hotéis no Sul. Após quase um mês, muitos abrigos subterrâneos estão com problemas de esgoto, e falta ar-condicionado, sob 34ºC. Cerca de 1.500 pessoas que ainda não deixaram o local já se inscreveram no plano.