A viagem aérea entre o Aeroporto Internacional Jorge Cháves, em Lima, e Cusco (com “s” mesmo, segundo os dicionários peruanos), pela LAN, dura uma hora, no máximo.
Gente do mundo todo, com mochilas nas costas, tênis ou sapatos para trekking, bonés, repelentes e recipientes para água, revelam a expectativa em conhecer a cidade de Coricancha, o “umbigo do mundo”, de onde partem os trens rumo ao Vale Sagrado e a Machu Picchu.
São tantas as recomendações, que antes mesmo do “chek-in” muitos passageiros já estão de posse de folhas de coca e das pílulas mágicas Sorochepills , tiro e queda para aliviar os problemas de altitude.
Cusco, o centro do mundo inca, está a quase 3.500 metros de altitude acima do nível do mar. A aterrissagem, portanto, já é um capítulo especial. Na verdade, a aeronave não faz todo aquele procedimento de descida que nos deixa muitas vezes surdos ou pelo menos com o ouvido entupido. Mantém-se numa altitude compatível com as pistas do aeroporto. Por isso, a pressão auditiva não é sentida.
Antes, durante ou depois do vôo, todas as recomendações são válidas, por se tratar de um lugar muito alto. Um folheto distribuído no aeroporto traz as seguintes recomendações: “Estimado Pasajero, el aeropuerto de Cusco se encuentra ubicado a una altura de 3,400 msnm la cual determina cambios inesperados del clima. Dichos cambios, generan variaciones em la velocidade del viento y en la temperatura del aeropuerto, afectando la capacidade de pasajeros y carga de las aeronaves. Ante esta situación, le sugerimos consultar com su compañía aérea para que coordine los detalles de su viaje de retorno”.
Traduzindo: “Prezado passageiro. O aeroporto de Cusco está localizado a 3.400 metros de altitude, fato que sujeita o local a mudanças inesperadas de clima. Essas mudanças geram variações na velocidade do vento e na temperatura do aeroporto, afetando as relações de desempenho das aeronaves quanto a capacidade de carga e transporte de passageiros. Ante essas possibilidades sugerimos consultar sua companhia aérea para que coordene os detalhes de sua viagem de retorno”.
Ou seja, como a altitude determina mudanças, para não se perder o vôo de retorno, é preciso checar tudo, bem antes.