09 de julho de 2026
Polícia

Cadáver roubado no Sul viria para Bauru

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Dois homens foram presos, no final de julho, pela polícia do Paraná transportando um cadáver que supostamente seria entregue a uma universidade da região de Bauru, apurou ontem à noite o JC com o auxílio da Agência Estado (AE) e do Jornal Zero Hora, do Rio Grande Sul (RS). A suspeita é de que os dois façam parte de uma quadrilha interestadual que age a partir de Porto Alegre, onde oito pessoas foram indiciadas depois de investigações da polícia local, que não divulgou o nome da instituição de ensino da região de Bauru que receberia o corpo.

Um reportagem publicada pelo Jornal Zero Hora informa que os dois homens eram gaúchos e foram surpreendidos por uma blitz da Polícia Rodoviária Estadual do Paraná transportando, no porta-malas de um Santana Quantum, o corpo de um aposentado de 69 anos, no mês de julho. O aposentado foi morto a tiros na cidade de Viamão, no Rio Grande do Sul, e seu corpo teria sido roubado do Departamento Médico Legal (DML) de Porto Alegre. De acordo com as investigações da polícia gaúcha, a dupla teria saído de Passo Fundo com destino a região de Bauru, onde iriam negociar o corpo com uma universidade.

O Zero Hora informou que os documentos usados para o transporte do cadáver seriam falsificados, e a dupla integraria uma quadrilha especializada na venda de órgãos a instituições de ensino superior da região Sudeste.

A notícia da prisão fez um delegado de Porto Alegre reabrir um antigo inquérito que investigava uma quadrilha que vendia corpos na cidade, de acordo com o Zero Hora. Os cadáveres chegavam a valer R$ 25 mil, segundo a polícia, que também afirma que esse mercado clandestino existe porque há muita demanda e poucos cadáveres disponíveis para doação a universidades.

O delegado da Polícia Civil que investiga o caso na capital gaúcha, André Mocciaro, concluiu as investigações locais ontem, de acordo com a AE. Familiares de falecidos eram aliciados por integrantes da quadrilha quando procuravam os corpos no DML da cidade, informa a AE. Oito pessoas foram indiciadas por participarem do esquema de venda dos corpos para universidades

Os procedimentos de identificação e liberação de corpos no DML de Porto Alegre estão sob investigação da Corregedoria do Instituto-geral de Perícias (IGP) desde maio, quando foi constatado o sumiço do corpo de uma mulher e a existência no departamento de um corpo que já constava como sepultado.

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O que diz a lei

A lei federal 8.501/92 estabelece que só podem ser doados para estudos corpos de pessoas que não tiveram morte violenta.

Cadáveres de vítimas de acidentes de trânsito ou de homicídio, por exemplo, não podem ser usados, já que tais eventos geram investigação e pode haver necessidade de ser feita a exumação do corpo.