08 de julho de 2026
Regional

Justiça deve tratar cidadão como cliente

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Teve início, ontem, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subsecção Bauru, o ciclo de seminários “Módulos de Gestão Pública Moderna”, promovido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O desembargador João Carlos Saletti, membro do Comitê de Gestão do TJ, esteve presente ao evento, que contou também com a presença de vários juizes diretores de Fóruns de Comarcas de cidades da região.

A professora Rosane Schikmann, consultora da FGV, palestrou sobre a necessidade de se modernizar o trabalho das organizações públicas, entre elas o Judiciário, tonando-as mais ágeis e adequadas às necessidades da sociedade.

Ela lembrou que a necessidade de otimizar os trabalhos é conseqüência de vários fatores, como, por exemplo, da escassez de recursos e do tempo de resposta mais rápida exigido por uma demanda social cada vez mais educada e consciente de seus direitos.

Pesquisa feita pela consultoria da FGV, apontou que a organização pública atual apresenta as seguintes características: estrutura rígida com decisões centralizadas; o processo (de trabalho) desloca-se fisicamente; as tarefas atuais foram projetadas para outra época; as medidas de desempenho institucional quase sempre ignoram o cliente (cidadão). Schikmann lembrou que a palavra “cliente” não deve ser associada simplesmente ao dinheiro e, por isso, as organizações públicas devem tratar o cidadão como cliente (mesmo não envolvendo dinheiro). Segundo ela, os clientes têm as suas necessidades e esperam que as decisões sejam justas e tomadas no menor tempo possível.

Por outro lado, ela lembrou que o Judiciário espera que as decisões sejam juridicamente corretas e no tempo necessário dentro das exigências da lei. Isso acarretaria em um descompasso entre os dois lados.

Schikmann apontou, ainda, durante sua explanação aos convidados, que o papel dos gestores é de verificar se as tarefas devem ser feitas e acompanhar os resultados obtidos, assim como o seu impacto na sociedade. Além disso, ela ressaltou a necessidade de rever as diretrizes de trabalho para ajustá-las às necessidades do cliente redirecionando os esforços, caso necessário.

Segundo o desembargador João Carlos Saletti, que esteve no evento, o objetivo do estudo que vem sendo feito para o Tribunal de Justiça de São Paulo é de identificar as características dos Fóruns do Estado e proporcionar uma reestruturação nas rotinas de trabalho para agilizar os serviços. “Um exemplo prático que já foi tirado é a reestruturação da Secretaria do Tribunal de Justiça. Ela administra todo o Poder Judiciário do Estado.

“No ano passado, esta Secretaria foi completamente reestruturada e agora está sofrendo um processo de modificação de processos e rotinas de trabalho”, comentou o desembargador.

Ontem, foi o primeiro de uma série de seminários que discutirá a questão da modernização do sistema judiciário.

Os próximos eventos serão realizados nos dias 16, 23 e 29 deste mês e no dia 5 de setembro.