08 de julho de 2026
Nacional

Risco-país bate recorde de queda

Por Fabrício Vieira | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A parada no processo de alta da taxa básica de juros nos EUA deu novo ânimo ao mercado de títulos de dívidas de emergentes. O movimento permitiu que o risco-país do Brasil recuasse consideravelmente ontem, para alcançar seu mais baixo nível histórico - em contraste gritante com o período pré-eleitoral de 2002, quando bateu sua alta histórica de 2.403 pontos. No fim das operações, o risco-país brasileiro marcava queda de 3,7%, a 208 pontos, patamar nunca antes registrado.

Para os grandes investidores internacionais, risco menor indica que encolheram as chances de determinado país dar calote em suas dívidas. Assim, se torna menos arriscado emprestar para países com risco mais baixo. Dessa forma, quanto menor é o risco-país, menores são as taxas pagas pelo governo (e também pelo setor privado) na hora de captar recursos no mercado internacional. A oferta de recursos também tende a se ampliar nesse contexto.

O risco-país é calculado pelo banco de investimentos americano JP Morgan desde 1994. Para calcular o indicador, o banco leva em consideração uma cesta de títulos da dívida de um país. Nos momentos em que esses títulos são comprados com maior interesse - como hoje - e o valor deles sobe, o risco recua. E vice-versa.

No período pré-eleitoral de 2002, quando as incertezas em relação ao futuro do país eram grandes no exterior, os investidores se desfizeram dos títulos da dívida brasileira, o que levou o risco-país a 2.436 pontos. “A decisão do Fed ajudou a acalmar um pouco o mercado, o que beneficiou os emergentes. A tendência é a de o risco-país continuar melhorando no curto prazo”, disse Maristella Ansanelli, do banco Fibra.

O Fed (o BC dos EUA) decidiu na terça manter os juros básicos do país em 5,25% anuais, interrompendo um ciclo de alta que durou mais de dois anos. Se os juros pagos pelos papéis do Tesouro dos EUA deixam de subir, os títulos de emergentes (como o Brasil), que pagam mais, ganham atratividade. “A decisão do Fed em manter a taxa de juros básica estável refletiu diretamente sobre os ativos financeiros dos países emergentes, como Bolsa, moedas, juros e títulos soberanos, e, consequentemente, no risco país”, analisa Alex Agostini, economista da consultoria Austing Rating.

Latinos melhores

Mas, apesar de ter atingido seu mais baixo nível, o risco-país brasileiro ainda é superior ao de outros latino-americanos. Aos olhos dos grandes investidores é menos arriscado emprestar para o México (risco de 116 pontos), o Peru (135 pontos) ou mesmo a Venezuela (190 pontos).