08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Realidade marginal


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Aquela tarde, parecia ser mais uma como outra qualquer. A menina bem vestida, de porte fino e com um ar esnobe saía pelo enorme portão do colégio “elite”, o qual freqüentava. Seu chofer aguardava-a como de costume e ambos seguiam pelas ruas e avenidas da imensa e movimentada cidade, com destino para casa.

O percurso transcorria normalmente. O motorista permanecia calado e ela, da mesma forma, conservava-se ali, no seu mundinho fútil e mesquinho, não pensando em nada e nem mesmo dando importância ao que se passava ao lado de fora. Sua vida resumia-se ao luxo e ao poder, desconhecendo e sequer imaginando aspectos como necessidades e limitações. O congestionamento caótico daquela hora, entretanto, a irritava profundamente.

O inesperado aconteceu, a maneira sobressaltou-se ao deparar-se com indivíduos fortemente armados, que já cercavam todo o carro. Pendido pelos marginais, os motorista nada pode fazer ao perceber que a jovem, confusa em meio à situação, era conduzida a outro veículo que, logo após, partiu em louca disparada.

O destino era certo: o cativeiro. Ruas e avenidas iam modificando-se rapidamente, casas transformando-se em verdadeiros aglomerados de habitações precárias e pessoas portando-se de maneiras diferentes, desconfiadas e ao mesmo tempo temerosas em relação àquele mundo de conflitos. Vivia-se uma guerra de “dependência” entre forças ocultas que compunham a população.

A realidade em que se encontrava, assustava e indignava-a. A sua volta, nada poderia ser tão chocante e contrastante. Havia pessoas de todos os tipos, homens e mulheres que possuíam ideais distintos. Muitos submetiam-se a uma vida de vícios, desavenças e intrigas. Tiros, gritaria, além de muita confusão agitavam o local. Outros, porém, em minoria, eram cidadãos normais que lutavam por suas dificuldades, na tentativa de superar o embate e as imposições daquele lugar.

Em pouco tempo conviveu com fome, frio e privações. Colocada em cativeiro, definhava-se aos poucos sofrendo acima de tudo humilhações e agressões. A bonequinha de luxo deparava-se com a outra face até então desconhecida: a marginalidade.

A vida nestas condições tornava-se insuportável. Desamparada e acompanhada pelo mundo, ela persistiu. Porém, seu desejo de liberdade falou mais alto trazendo consigo conseqüências irreversíveis.

Mais um crime dentre muitos outros que aconteciam a todo o momento. Baleada na tentativa frustrada de fuga, tal episódio deixou marcas na tradicional família e em toda abastada sociedade da cidade.

Fernanda Futino Gondo - estudante da 3.ª série do Ensino Médio - RG 45.951.566-4