Nova York - A ONU fechou ontem um acordo sobre a resolução negociada entre Washington e Paris para pôr fim ao conflito entre Israel e o grupo terrorista Hizbollah no Líbano, que hoje completa um mês.
Israel e Líbano deram sinal verde para proposta, segundo fontes diplomáticas, abrindo caminho para que sua votação pelo Conselho de Segurança ocorresse ainda ontem. Porém, Israel afirmou que a adoção da medida depende de uma decisão do gabinete israelense, que se reúne no domingo com a recomendação de aprová-la. Até lá, continua “com força total” a ofensiva terrestre.
Autoridades americanas disseram esperar uma aprovação unânime da resolução, que chegou a um meio-termo entre as exigências israelenses e libanesas após uma semana de intensas negociações.
O conflito, iniciado com a retaliação israelense ao seqüestro de dois de seus soldados pelo Hizbollah em 12 de julho, já matou ao menos 750 pessoas no Líbano e 123 em Israel.
De acordo com trechos divulgados pelas agências internacionais, a resolução pede um cessar-fogo total, exigindo o fim dos ataques do Hizbollah e da ofensiva militar israelense, mas sem fixar datas. Também não estipula um prazo para a retirada israelense do Sul do Líbano, dizendo apenas que deve ocorrer o mais rápido possível.
O texto prevê ainda que essa retirada seja escalonada e acompanhada do envio de 15 mil soldados do Exército libanês para a região. Autoriza o envio de uma força de paz com 15 mil homens - possivelmente sob liderança de tropas francesas - para reforçar a atual Unifil, com a responsabilidade de coordenar a retirada israelense, a trégua e a chegada de ajuda humanitária à população.
Por fim, o texto estipula a retirada do Hizbollah da área ao sul do rio Litani, a 20 km da fronteira israelense.
Com o objetivo de impedir que Irã e Síria rearmem o grupo xiita, impõe ainda um embargo de todo tipo de arma e equipamento militar a qualquer entidade ou indivíduo no Líbano.
“Questão de horas”
Hamad bin Jassim bin Jabr al Thani, de Qatar - único representante árabe dentre os 15 membros do CS -, disse ter conversado com autoridades libanesas e que esperava a adoção da resolução dentro de horas.
Uma fonte do governo israelense disse que o premiê Ehud Olmert, o ministro da Defesa, Amir Peretz, e a chanceler Tzipi Livni se disseram satisfeitos com mudanças feitas de última hora no texto. O próprio Olmert ligou para o presidente George W. Bush para informar-lhe de seu apoio à resolução.