Um dos fundadores do Primeiro Comando da Capital (PCC), Cesar Augusto Roriz, o “Cesinha”, de 39 anos, foi assassinado ontem, por volta das 10h30, na Penitenciária 1 de Avaré, para onde foi transferido em 7 de julho deste ano. Um preso assumiu, sozinho, a autoria do homicídio.
De acordo com a polícia, Cesinha participou da fundação do PCC nos anos 90 e permaneceu na facção criminosa até novembro de 2002, quando foi expulso e jurado de morte juntamente com José Márcio Felício dos Santos, o “Geleião”. Com a saída dos dois, Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, assumiu o comando. Fora do PCC, Cesinha e Geleião formaram uma facção rival, chamada Terceiro Comando da Capital (TCC).
Segundo o delegado da Polícia Civil responsável pelo caso, George Zedan, ontem Cesinha se encontrava em sua cela individual, na companhia de uma visita íntima, quando outro detento, Paulo Henrique Bispo da Silva, que cumpria pena por roubo e homicídio, o chamou para conversar na cela número 152.
Dentro da cela, Bispo teria asfixiado Cesinha com uma corda improvisada, conhecida pelos presos como “teresa” - feita com lençóis e geralmente usada por presos para escalar paredes e muros -, e o matou com um cabo de vassoura enterrado no pescoço e outro do lado esquerdo do corpo, abaixo da costela. Bispo assumiu sozinho a autoria do crime. Nenhum preso ou funcionário da penitenciária afirmou ter presenciado os fatos.
No entanto, o delegado que investiga o caso suspeita que outros detentos participaram do crime. “Nós apreendemos alguns tênis de presos de outras celas, com o solado sujo de sangue. Agora fica por conta da (DIG) Delegacia de Investigações Gerais apurar se houve ou não a participação de mais pessoas”, destaca Zedan.
O delegado conta ainda como Bispo disse ter praticado o crime. Segundo o criminoso, ele teria rendido Cesinha e cortado as regiões laterais do pescoço e da costela da vítima com uma gilete, para facilitar a penetração dos dois pedaços de cabo de vassoura. Bispo irá responder por mais um homicídio.
A penitenciária 1 de Avaré, onde ocorreu o crime, é considerada de segurança máxima e foi transformada no ano passado em regime diferenciado para receber presos de alta periculosidade. Todos os detentos cumprem pena em celas individuais.
A polícia e a administração penitenciária não souberam informar se Bispo agiu por conta própria ou por ordem do PCC. Essas informações serão investigadas durante o inquérito. Os agentes penitenciários disseram que o episódio não alterou a rotina da prisão e que as visitas de domingo continuaram sendo recebidas normalmente.