07 de julho de 2026
Ciências

Chuva de metano é descoberta em lua de Saturno

Reuters
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Londres - A previsão do tempo para a Titã, lua gigante de Saturno, é de chuva de metano, disseram cientistas na última semana. A intensidade varia de um chuvisco persistente, que mantém úmida a superfície da maior lua de Saturno, a fortes tempestades que podem produzir gotas enormes.

“Encontramos as primeiras evidências de chuviscos num planeta remoto, nesse caso Titã, que consiste de metano líquido e um pouco de nitrogênio”, disse Tetsuya Tokano, da Universidade de Colônia, na Alemanha. Titã possui características geológicas semelhantes à Terra.

Ele e sua equipe usaram dados da missão da Nasa e da Agência Espacial Européia Cassini-Huygens para medir a composição química, a temperatura e a pressão da atmosfera de Titã.

A sonda Cassini foi lançada em 1997 e chegou a Saturno em 2004, depois de passar por Vênus e Júpiter. Dados coletados pela sonda mostraram que Titã, que é maior que Mercúrio, é fria, possui uma atmosfera densa de metano e nitrogênio e tem ventos.

De acordo com as conclusões da equipe, descritas na revista Nature, boa parte da superfície de Titã pode ficar sob chuvisco durante os próximos anos.

Num outro trabalho publicado na revista, pesquisadores da Espanha fizeram um estudo da atmosfera de Titã, baseado em modelos, sugerindo que nuvens sobre o pólo sul do satélite ajudem a produzir tempestades violentas que castigam a superfície e poderiam explicar a formação de seus vales fluviais.

Ricardo Hueso e Agustin Sanchez-Lavega, da Universidade do País Basco, em Bilbao, disse que, sob as condições certas, as tempestades podem produzir gotas de chuva de até 5 milímetros, o equivalente a uma chuva bem forte da Terra.

Tokano disse que, embora os pesquisadores espanhóis tenham chegado a uma conclusão diferente, ele acredita que pode haver os dois tipos de chuva em Titã, dependendo das condições.

“Não descartamos a presença de tempestades fortes, porque essas nuvens foram observadas perto do pólo sul”, afirmou ele. A missão Cassini-Huygens, que estuda as luas e os anéis de Saturno, deve seu nome a dois europeus do século 7: o holandês Christiaan Huygens, que descobriu os anéis de Saturno e Titã, e o astrônomo franco-italiano Jean-Dominique Cassini, que descobriu as outras quatro grandes luas do planeta.