11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Venda de combustíveis fica estável

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Nunca o preço dos combustíveis oscilou tanto como em 2006. Mesmo assim, o volume de vendas registrado no primeiro semestre deste ano por donos de postos de Bauru permaneceu estável em comparação com o mesmo período de 2005. Empresários consultados pelo Jornal da Cidade avaliam que os bauruenses não têm o hábito de abrir mão do carro mesmo diante do aumento de preços e que, muitas vezes, preferem “apertar o cinto” em outras áreas para manter este conforto.

O empresário Edivaldo Tuschi se surpreende enquanto faz as contas solicitadas pela reportagem. Segundo ele, a média de venda entre seus postos teve uma leve queda de 0,5% na comparação com os seis primeiros meses do ano passado - o que representa estabilidade considerando o desvio padrão com que o setor trabalha.

“Agora que estou fazendo as contas, estou surpreso, pois achei que a redução fosse bem maior comparando com o ano passado. Essa porcentagem (0,5%) significa algo em torno de 50 mil litros de combustível, que é muito pouco considerando o total comercializado em cada posto. Se o mês de junho não tivesse sido tão ruim, eu teria vendido mais neste ano do que em 2005”, afirma.

Segundo Tuschi, junho foi um mês atípico para o setor neste ano em função da Copa do Mundo.

“Nos dias do feriado (15 de junho) e dos três jogos do Brasil, o movimento nos postos caiu demais. Em julho já é normal o consumo de combustível ser menor porque muita gente sai da cidade em viagem de férias. O problema é que, pelo menos até agora, o mês de agosto não vem apresentando uma recuperação”, preocupa-se.

Preços

No momento, o preço máximo do litro do álcool vendido em Bauru é maior do que no ano passado: R$ 1,50, segundo pesquisa feita pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em 48 estabelecimentos. Na primeira semana deste ano, o valor mais alto era de R$ 1,80, sendo que em março - auge da crise da entressafra da cana-de-açúcar - chegou a custar R$ 2,00.

Já a gasolina, que em março chegou ao patamar de R$ 2,65, atualmente se mantém na média de R$ 2,54 - sendo o máximo de R$ 2,59 e o mínimo R$ 2,45 em alguns postos, segundo a ANP. Por ora, não há previsões de aumento de preços dos combustíveis.

Na avaliação de Edivaldo Tuschi, o aumento das vendas de carros flex têm colaborado para o bom desempenho do consumo de combustíveis. Segundo ele, formado em engenharia mecânica, os motores bicombustível têm consumo maior.

“O meu carro, ano 2004, movido a gasolina, faz uma média de 9,5 km por litro na cidade. O mesmo carro com motor flex, faz cerca de 5 km por litro se for abastecido só com álcool e 8,5 km por litro com gasolina. Além disso, as pessoas aqui em Bauru não têm o hábito de abrir mão do carro. Quando os preços (dos combustíveis) sobem, no início há um recuo no consumo, mas depois volta ao normal”, avalia.

Estabilidade

Nos postos do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, Wagner Siqueira, a queda média do consumo de combustíveis no primeiro semestre deste ano em relação ao ano passado não chega a 5%, o que ele também considera uma estabilidade.

“Pela situação de constantes oscilações de preços dos combustíveis que tivemos neste ano, a estabilidade das vendas é um resultado positivo. Por outro lado, acho que o consumo poderia estar maior em função do crescimento das vendas de veículos. Mas nosso mercado é assim mesmo. Quem tem veículo flex usa sempre o combustível que está mais barato, mas não deixa de usar o carro”, diz Siqueira.

Sérgio Ferreira, diretor comercial de uma distribuidora de combustíveis na cidade, confirma a estabilidade do consumo mesmo sem apresentar números oficiais da empresa. Ele observa que o poder aquisitivo da maioria da população permanece estável nos últimos anos, o que não permite aumento de gastos.

“Geralmente, as pessoas definem o valor que podem gastar no mês para abastecer o carro. Quando este valor é atingido antes de acabar o mês, elas dão outro jeito, como por exemplo pegar ônibus ou pedir carona a um amigo para ir trabalhar. No Brasil, o combustível ainda é um produto caro para a maioria dos orçamentos familiares”, avalia Ferreira.

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Consumo

O aumento das vendas de carros na cidade, conforme mostrado em várias matérias publicadas no Jornal da Cidade ao longo deste ano, não significa, necessariamente, que haverá mais consumo de combustível - conforme citado por alguns entrevistados. O que ocorre em muitas famílias é o desmembramento ou o compartilhamento do consumo. Ou seja, o novo carro pode ser compartilhado por marido e mulher.

“Meu marido comprou um carro recentemente e eu continuo com o meu. Mas o que acontecia antes era que ele me levava até o trabalho e, de lá, seguia para a empresa onde trabalha. Agora nós fazemos isso separadamente, mas a quilometragem percorrida é praticamente a mesma. Nos finais de semana, usamos um carro só”, conta uma psicóloga que não quis divulgar seu nome.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o consumo nacional de combustíveis líquidos em junho - mês da Copa do Mundo - foi de 7,89 bilhões de litros, equivalente a uma queda de 2,64% em relação a maio e de 1,98% na comparação com junho do ano passado. O consumo acumulado no semestre ficou apenas 0,65% acima do volume registrado no mesmo período de 2005.