11 de julho de 2026
Nacional

Turista português é assassinado em assalto nas areias de Copacabana

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - O estudante português André Costa Ramos Bordalo, 19 anos, que passava férias no Rio, foi morto na manhã de ontem com um golpe de faca ao tentar reagir a um assalto na areia da praia de Copacabana (zona sul da cidade). O crime ocorreu por volta das 8h20. Bordalo estava deitado na areia tomando sol quando um assaltante tentou roubar sua mochila. O jovem se assustou e levantou. Levou uma facada no lado esquerdo da barriga e morreu na hora.

O assaltante, identificado como Claudecir Bezerra da Silva, 23 anos, tentou fugir aos gritos de “pega ladrão, pega ladrão” de pessoas próximas. Ele foi perseguido por policiais militares e preso na esquina da rua Constante Ramos com a avenida Nossa Senhora de Copacabana. Antes de ser pego, ameaçou um policial com a faca. “Eu já furei um e posso matar outro”, disse o ladrão, que estaria sob efeito de drogas, segundo a polícia

Na hora do crime, os pais do estudante também estavam na praia, mas em locais separados. A mãe estava na água, e o pai fazia uma caminhada. Testemunhas disseram que Bordalo teve morte instantânea não havendo tempo para socorro. A família havia chegado ao Rio de Janeiro na última sexta-feira e estava hospedada no hotel Pestana, em frente onde houve o crime. Mora em Lisboa. Iria embora da cidade hoje e pretendia visitar Fernando de Noronha e o Pantanal.

O casal e o filho chegaram ao Brasil no dia 1 e já tinham visitado alguns Estados do Nordeste. Se diziam apaixonados pelo Rio. Muito abalados, os pais Sérgio Ramos e Paula Bordalo, não quiseram falar com os jornalistas e não foram até o Instituto Médico Legal fazer o reconhecimento do corpo. Dois amigos do casal se encarregaram das providências.

Segundo o IML, com a facada que levou, o jovem teve perfuração do pulmão esquerdo. A vítima era estudante de engenharia. O corpo só foi removido do local por volta das 11h30, três horas depois do crime. A morte ocorreu a 50 metros da barraca montada pelo hotel para atender os hóspedes na praia.

Na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat), o ladrão, apesar de ter ameaçado um policial com a mesma faca que matou o turista português, negou a autoria do crime. Declarou que atiraram a faca em cima dele. Informou trabalhar em uma lanchonete no bairro do Flamengo (zona sul) e morar no morro da Babilônia (Leme, zona sul). De acordo com a Deat, ele não tem antecedentes criminais. No entanto, a polícia suspeita que o assaltante já tenha praticado outros roubos contra turistas. Na sua carteira, foram encontrados cerca de 2 mil bolívares (moeda da Venezuela).

Na mochila da vítima, havia uma máquina fotográfica e um guia do Brasil. Os pais do estudante receberam funcionários do consulado português e também o secretário estadual de Turismo, Sérgio Ricardo. O representante do governo estadual disse que o fato prejudicará a imagem do Rio de Janeiro no exterior, mas não acredita que diminua o fluxo de turistas na cidade.

“Em Londres, houve ataques terroristas, mas isso não reduziu o número de turistas. Na Espanha, a mesma coisa”, declarou Ricardo, que informou que o casal deverá deixar o Brasil hoje à tarde junto com o corpo do filho. O hotel onde a família estava hospedada é o mesmo que abrigou o primeiro-ministro português, José Sócrates, que esteve no Rio na quinta e sexta-feira passadas e chegou a passear pela praia de Copacabana.