Com os constantes aumentos das tarifas cobradas por seus serviços, os cinco maiores bancos do País (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Unibanco) vão fechar o balanço do primeiro semestre deste ano com lucro líquido acima de R$ 11 bilhões. Os dados são do diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região Marcos Lenharo. Segundo a entidade, a escalada dos valores das tarifas desde o ano passado até agora já ultrapassa 380%.
Em contrapartida, percebendo a concorrência de empresas financeiras e até mesmo de grandes redes de varejo que oferecem empréstimo pessoal (conforme matéria publicada em abril no Jornal da Cidade, cobrando taxas de 8% a 12%), os bancos estão baixando as taxas de juros aplicadas nas operações de empréstimo pessoal. A redução também vem sendo aplicada por algumas instituições no juro do cheque especial.
Mesmo assim, as quedas são bem suaves, significando poucos pontos percentuais. No caso do empréstimo pessoal, levantamento realizado pela Fundação Procon de São Paulo no dia 8 deste mês mostra que, no Banco do Brasil, a redução foi de 4,80% ao mês para 4,76% ao mês, representando variação negativa de 0,83% em relação à taxa cobrada em julho.
No Bradesco a queda foi de 5,67% ao mês para 5,63% ao mês, ficando 0,71% abaixo da taxa cobrada em julho. No HSBC a redução foi de 0,41% no empréstimo pessoal, passando de 4,82% ao mês para 4,80% ao mês. Os dados estão no site www.procon.sp.gov.br.
“No empréstimo pessoal, os bancos estão fazendo de tudo para atrair os clientes, porque a concorrência nessa área é grande com as financeiras e alguns magazines que também oferecem essa modalidade. No caso do cheque especial, o que ocorre é que tem aumentado demais a aquisição de cartões de débito nos bancos, e essas pessoas acabam não usando cheque”, observa Tonon.
Arrecadação
De acordo com ele, atualmente cerca de 40% da arrecadação total dos bancos vem das tarifas cobradas pelos serviços oferecidos. Além disso, nos últimos anos as instituições financeiras passaram a cobrar por serviços que antes não eram tarifados. É o caso dos saques feitos diretamente nos caixas internos das agências.
“Os bancos querem diminuir cada vez mais o movimento de clientes dentro das agências porque não vão aumentar a contratação de funcionários. O objetivo é ampliar cada vez mais o número de serviços que podem ser feitos diretamente nos caixas eletrônicos. Para se ter uma idéia, alguns bancos estão cobrando até para receber pagamento feito com boleto de outras instituições”, observa Tonon.
O diretor do sindicato destaca que, atualmente, quase tudo é cobrado em todos os bancos. A cobrança pela emissão de um documento de ordem de crédito (DOC), por exemplo, pode chegar a R$ 50,00. Em alguns bancos, se for emitido um cheque com valor inferior a R$ 40,00 será cobrada tarifa de R$ 0,50. Já a manutenção do cartão magnético gira em torno de R$ 4,00 ao mês.
Entre as atividades que integram a campanha salarial dos bancários, o sindicato fará hoje a distribuição de panfletos em frente a algumas agências de Bauru. Entre outros assuntos, os informativos vão enfocar as cobranças abusivas de tarifas bancárias.
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Pesquisa
Apesar de, na maioria dos casos, não haver grande diferença de valores cobrados pelos serviços entre os bancos, o coordenador do Procon em Bauru, Amauri Roma, diz que é importante pesquisar antes de abrir uma conta corrente.
“A maioria das reclamações que o Procon recebe sobre bancos é de cobranças indevidas, cartão de crédito e o não-encerramento de contas. É importante pesquisar, acompanhar as cobranças de tarifas que são feitas todos os meses e, principalmente, ler o contrato que se assina no banco para ter consciência do que foi solicitado”, destaca.
Com o objetivo de tentar retomar o controle sobre suas finanças depois de ter seis cheques devolvidos por falta de fundos e de ficar devendo no cartão de crédito, uma professora de Bauru, que pediu para não ter o nome divulgado, cancelou seus cartões de crédito e aboliu o uso de cheques. Há cerca de um ano, ela só faz compras à vista.
“Foi uma maneira radical que encontrei para tentar parar de me enrolar em dívidas. Como eu não sou uma pessoa muito organizada, esqueci a data que alguns cheques iam cair na minha conta e, depois, passei a maior vergonha com o meu nome indo parar no SPC e na Serasa. Procuro utilizar o mínimo de serviços bancários, porque as tarifas são absurdas e nem sempre você sabe o que está sendo descontado quando tira um extrato”, reclama.
• Serviço
Os telefones do Procon, órgão de defesa do consumidor em Bauru, são 3226-1889 e 3234-4558.