09 de julho de 2026
Regional

Proteção do Aqüífero Guarani será discutida a partir de hoje em Botucatu

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu - A partir de hoje, representantes dos 16 comitês de bacias hidrográficas do Estado estarão reunidos em Botucatu (100 quilômetros de Bauru) na Jornada Estadual Aqüífero Guarani, que discutirá as estratégias de utilização e proteção de um dos maiores reservatórios de água doce do mundo.

O objetivo do evento é ampliar a informação sobre a importância do Aqüífero Guarani no Estado; apresentar os resultados parciais do “Projeto Aqüífero Guarani”, já em execução; e envolver os 16 comitês de bacias hidrográficas na discussão das estratégias de utilização e proteção do aqüífero em São Paulo.

O evento, que se estende até a próxima sexta-feira, será aberto oficialmente hoje, às 13h, e logo após, às 14h30, será realizada a primeira palestra ministrada pelo professor da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Hirata, que abordará o tema “Aqüífero Guarani: a importância do conhecimento atual e os desafios de gestão”.

Às 15h30, será realizada a apresentação da exposição Águas Brasilis, da Estação Ciência da USP. A exposição estará aberta para visitas das 16h às 18h.

A Jornada Estadual Aqüífero Guarani é promovida pelo Comitê de Bacias Hidrográficas e Conselho Estadual de Recursos Hidricos, com apoio da prefeitura de Botucatu, Governo do Estado de São Paulo e Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee).

O presidente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Otávio Okano, participará do evento. O secretário municipal do Meio Ambiente de Bauru, Carlos Alexandre Barbieri, e o presidente do Departamento de Água e Esgoto (Dae) de Bauru, José Clemente Rezende, também devem participar da Jornada em Botucatu. Segundo Barbieri, como Bauru é uma das cidades localizadas sobre o aqüífero, participar de discussões que tratem do assunto pode trazer soluções de qualidade de vida para o município.

O programa do evento inclui a apresentação de exemplos de utilização do aqüífero em alguns municípios, além de visita de campo e mesa-redonda com representantes do Sistema Estadual de Recursos Hídricos e da coordenação do projeto, que discutirão idéias e propostas para a melhor gestão do aqüífero.

O evento será realizado no Teatro Municipal “Camilo Fernandez Dinucci” e prossegue até a sexta-feira com mais palestras, debates, mesas redondas e visitas monitoradas. As inscrições para o evento podem ser feitas pela Internet até hoje. A ficha de inscrição está disponível gratuitamente no site da prefeitura municipal (www.botucatu.sp. gov.br), bem como informações sobre hospedagem, localização, programação do evento e outros serviços. Segundo os organizadores, as inscrições para excursão de campo já estão esgotadas.

Projeto

O Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Aqüífero Guarani é uma iniciativa conjunta dos países Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, do Fundo para o Meio Ambiente Mundial e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O Projeto é destinado à elaboração de estudos para a implantação coordenada de uma estrutura técnica e institucional com vistas à proteção e gestão do aqüífero. O período de execução do projeto está prevista para quatro anos, com término em 2007.

Em cada país foi estruturada uma unidade nacional. No caso do Brasil, além da unidade nacional, foram organizadas unidades estaduais de execução do projeto nos oito Estados abrangidos pelo aqüífero: Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Preocupação

Um dos problemas enfrentados pelo Aqüífero Guarani atualmente diz respeito à exploração desordenada da água através de poços. A partir da década de 70 teve início um surto exploratório do aqüífero, em São Paulo, que soma hoje mais de 2 mil poços perfurados nas bordas da bacia numa profundidade de 100 a 300 metros. Há também outras centenas de poços em área mais profundas do aqüífero entre 500 e 1,5 mil metros.

Por falta de políticas governamentais, o reservatório vem sendo explorado de maneira desordenada podendo ocasionar problemas de contaminação a partir das bordas da bacia em áreas urbanizadas ou industrializadas.

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O que é o Aqüífero Guarani

O Aqüífero Guarani é um reservatório de águas subterrâneas estimado em 1,2 milhão de quilômetros quadrados. A maior parte do reservatório se estende pelos territórios do Brasil (840 mil quilômetros quadrados), seguido dos territórios da Argentina (355 mil quilômetros quadrados), além do Uruguai e Paraguai, ambos com 58,5 mil quilômetros quadrados de reserva subterrânea de água.

Este manancial dispõe de um volume aproveitável de água da ordem de 40 quilômetros cúbicos por ano. O volume da água é 30 vezes superior à demanda pelo líquido para uma população de 20 milhões de habitantes.