10 de julho de 2026
Cultura

Kiko Zambianchi apresenta o rock

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

Impossível falar do rock nacional dos anos 80 sem citar Kiko Zambianchi. Apesar de assumidamente pop – no bom sentido -, o cantor, compositor e guitarrista nunca foi um fenômeno de popularidade, enquanto suas canções se alastraram por todo o Brasil nas vozes do autor e de outros intérpretes. São dele a versão de “Hey Jude”, “Primeiros Erros”, “Eu Te Amo Você” e “Rolam as Pedras”. Esses e outros hits integram o show que o músico faz nesta noite no Serviço Social do Comércio (Sesc).

Acompanhado por Jão Travassos (bateria), Paulo Moreira (contrabaixo) e Gustavo X (guitarra), Kiko passa a limpo sua carreira e canta a história do rock no show desta noite. “Se eu não cantar os sucessos, o povo me mata!”, brinca Kiko. Mas o tom de saudosismo pára por aí. No repertório, também há espaço para canções do seu último CD solo, “Disco Novo”, de 2002, e algumas inéditas que devem entrar no próximo trabalho.

O novo CD? Calma. Para Kiko Zambianchi, o mercado não dita regra. “Estou demorando para lançar um novo álbum porque eu lanço músicas, não lanço moda. E eu quero produzir músicas legais. Acho um desrespeito com o público esses artistas que têm apenas uma música legal, mas produzem um CD só para vender logo”, alfineta.

Enquanto a tendência dos ritmos é acelerar, Kiko segue na contramão. A maioria de suas músicas canta as relações pessoais com a introspecção de sua voz seca e guitarras discretas. “Faço o que tenho vontade de fazer. Já falei de política e gosto de falar de amor. Na época em que lancei ‘Rolam as Pedras’ – em 1985 – o que estava estourando eram músicas rápidas e guitarras pesadas e eu fiz uma canção introspectiva”, cita.

Voz afiada

Natural de Ribeirão Preto (SP), Kiko começou a compor e tocar guitarra na adolescência. Aos 23 anos, mudou-se para São Paulo com 120 músicas próprias em seu repertório. Em 85, lançou pela EMI o primeiro LP, “Choque”. Foi o álbum que apresentou o jovem ao Brasil com a faixa-título, “Rolam as Pedras” e “Primeiros Erros”.

Outro grande sucesso de sua autoria foi “Eu Te Amo Você”, gravado por Marina e mais recentemente por Patrícia Coelho. Mas a projeção nacional só veio mesmo em 1990, quando Kiko gravou a versão de “Hey Jude” dos Beatles para a novela global “Top Model”. Depois, com a ausência nas rádios e televisão, Kiko debruçou-se em trilhas para programas de TV e peças de teatro. Nesse período foi um dos cinco indicados para o Prêmio da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo (Apetesp).

Sobre o longo sumiço, o músico não economiza nas críticas à mídia. “O Brasil tinha artistas legais que estavam bem e que não deveriam ter saído nunca. Eu continuei trabalhando, mas a mídia não tinha interesse nenhum. A vontade deles era para Carla Perez! Antes você tinha a Gretchen, mas ninguém gastava US$ 5 mi na produção de um CD, porque tinha noção de qualidade”, dispara.

Sem a popularidade da década de 80, o músico fez diversas apresentações em Bauru, a maioria delas acompanhada pelo bauruense Gilson Dias. “Na década de 90, fiz uns três ou quatro shows com violãozinho em bares de Bauru e região. Foi uma época muito legal”, lembra.

Afastado da mídia desde a década de 90, Kiko voltou aos holofotes junto com os rapazes de Brasília do Capital Inicial, com a gravação do “Acústico MTV” em 2000, no qual, além de arranjador, foi guitarrista por dois anos e meio. Mesmo sem os créditos merecidos, a parceria com a banda continuou no próximo trabalho do grupo, “Rosas e Vinho Tinto”, de 2002, em que Kiko foi responsável pela pré-produção.

De volta aos palcos, fica a dúvida: foi a mídia que mudou o foco, ou foi o rock que ficou mais pop? Para Kiko, não há problema nenhum em ser pop, desde que se esteja educando. “A música pop é encarada de forma pejorativa, porque ela não é entendida. Mas ela abre caminho para coisas legais. Você pode ouvir várias tendências, fazer experiências, enfim. Para alguns eu faço pop, para outros, rock; para mim, não existe essa questão, eu faço de tudo com estilo próprio”, define-se.

• Serviço

Kiko Zambianchi se apresenta hoje, às 21h, na área de convivência do Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). Ingressos: R$ 8,00, R$ 4,00 (usuário inscrito, estudantes com comprovante, professores da rede pública e maiores de 60 anos) e R$ 2,00 (trabalhador no comércio e serviços e dependentes). Mais informações: (14) 3235-1751.