09 de julho de 2026
Articulistas

Despertar do Legislativo


| Tempo de leitura: 2 min

Mais uma vez a classe política foi colocada em xeque, com as denúncias de envolvimento de parlamentares, da Câmara Federal e do Senado, na máfia das ambulâncias. Segundo avaliação do próprio presidente da CPI, todo o Congresso está sob suspeita. Com base em planilhas e documentos apreendidos e em escutas telefônicas efetuadas pela Polícia Federal, 57 parlamentares estariam envolvidos no superfaturamento. Na lista da CPI dos Sanguessugas constam 84 nomes, divididos em sete grupos, definidos pelo maior ou menor grau de envolvimento. Foi aprovado relatório parcial, recomendando a abertura de processo de cassação contra 72 congressistas – 69 deputados e três senadores. O escândalo envolve 12% do Congresso e com isso encerra-se de forma nefasta o atual ciclo do legislativo brasileiro.

A base das acusações que abalaram o Congresso é o depoimento do empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, dono da Planam, responsável pelas negociações das ambulâncias. Comenta-se muito em esperar sejam concluídas as investigações para que não se cometam injustiças. Mas, pelo andar da carruagem, diminui a cada dia a paciência dos eleitores enxovalhando as instituições parlamentares e com isso comprometendo cada vez mais a reputação dos políticos. Os números são assustadores: um quinto do Congresso, ou seja, mais de uma centena de parlamentares está sob investigação do Ministério Público Federal ou responde a processo criminal perante o STF. De mensaleiros a sanguessugas, a atual legislatura forma o Congresso que ostenta o triste título de campeão de processos. Dificilmente haverá tempo, nem disposição, para que o Congresso julgue e casse os mandatos dos parlamentares envolvidos na falta de decoro e corrupção. Para minimizar este episódio humilhante, os próprios partidos políticos e o Ministério Público poderiam e deveriam tomar a dianteira e eliminar dos quadros partidários os postulantes a cargos eletivos nas próximas eleições e que estejam envolvidos, comprovadamente, nas denúncias. A CPI dos sanguessugas agiu rápido e com muita eficiência e, segundo um dos seus integrantes, deu a sorte de o Congresso estar vazio, com a ausência dos lideres e da maioria dos integrantes da Mesa Diretora, contribuindo assim para o bom andamento dos trabalhos. É bom que se apressem as investigações, que se apontem os culpados, antes mesmo das próximas eleições, para que se esclareça e não fiquem dúvidas sobre a totalidade dos parlamentares. Cabe agora ao eleitor tomar a decisão certa e extirpar da vida política nacional os mensaleiros e os sanguessugas do poder. Trata-se de um movimento democrático e de cidadania que poderia ser chamado de “o despertar do Legislativo”. O próximo período do parlamento brasileiro tem que ser iniciado sob a égide da honestidade. A população brasileira não suporta mais esses atos de corrupção e de desmandos. Está na hora de dar um basta e só o eleitor consciente pode fazer isso. O voto é a maior arma de uma Nação democrática.

O autor, Benjamin Ribeiro da Silva, é diretor licenciado do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo