10 de julho de 2026
Geral

Propaganda política leva eleitores a optar por leitura e filmes

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Nem bem o horário político “invadiu” as residências apresentando os candidatos em busca de votos e a população já está insatisfeita com a propaganda eleitoral obrigatória. Pela lei 9.504/97, que determina as regras para as eleições, a propaganda em rádio e TV começa 45 dias antes da realização do pleito e será veiculada de segunda a sábado. As principais alternativas encontradas por aqueles que “detestam” o horário político, que vai ao ar até o dia 28 de setembro, são: ler um livro, jornal ou revista; assistir filmes e passar mais tempo com a família.

A ultima opção foi a escolhida por Vera Augusta Simi. Anteontem, no primeiro dia de veiculação da propaganda eleitoral, ela reuniu a família, à noite. Ao invés de assistir TV, eles prepararam um bolo de chocolate. “As crianças gostaram da mudança na rotina e aproveitei para me distrair mais com meus filhos”, conta. Nos outros dias, ela promete uma agenda diferenciada de atividades. “Vou aproveitar para organizar os armários, ler um bom livro ou até mesmo ligar para os parentes e amigos para conversar”, garante.

Os freqüentadores de cinema e locadoras de vídeo têm um motivo a mais para assistir filmes. É o caso de Adolfo Castro. Ele e a esposa Maria Aparecida Castro resolveram “abastecer” a casa com pelo menos meia dúzia de filmes que alugaram ontem. “Não gosto de horário político. Como já costumo ver filmes, a partir de agora assistirei mais”, conta.

O administrador de uma locadora de vídeos e DVDs, Joel Fernandes, vê com bons olhos o horário político. “Esperamos um aumento de 10% nas locações. Os vídeos de ação são os mais procurados nesta época”, aponta. No primeiro dia de veiculação da propaganda eleitoral, Fernandes já percebeu a preferência de pelo menos três clientes. “Eles disseram que vão alugar mais filmes porque não gostam de assistir a propaganda política”, conta.

A administrador hospitalar José Luiz da Silva é outro que não pretende ligar a TV ou o rádio para ouvir os políticos argumentando. Ele não dispensa um bom livro por nada. Tem o costume de ler quatro horas por dia, hábito que não vai ser abandonado durante a propaganda política. “Me interesso pela política, mas prefiro ler jornais e revistas sobre o assunto, ao invés de assistir a propaganda”, esclarece. Para ele, a leitura alimenta a mente. “Quem lê fica mais inteligente do que já é porque ganha conhecimento”, argumenta.

O horário político também deve ser vantajoso para o proprietário de bancas de revista e jornais. “Ontem (anteontem), no primeiro dia da propaganda, já vendemos mais jornais do que nos dias normais”, garante Rone Marcandeli. Uma das razões para esse aumento, na opinião do proprietário, é o interesse pela política. “Muitos leitores se interessam pelas eleições, mas optam por ler as notícias ao invés de assistir o horário eleitoral”, avalia. Ele acredita que as vendas aumentarão nos próximos dias.