10 de julho de 2026
Nacional

PF prende 95 por fraude em importação

Por Mário Cesar Carvalho e Andréa Michael | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A Polícia Federal (PF) prendeu 95 pessoas em oito Estados acusadas de fazer parte do que ela classificou de o “maior esquema” de fraudes em importações já descoberto no Brasil. O esquema era dirigido, segundo a PF, pelo empresário Marco Antonio Mansur, preso ontem de manhã com o filho, Marco Antonio Mansur Filho, em seu apartamento dúplex no Paraíso, na zona sul de São Paulo. A PF apreendeu US$ 250 mil em um escritório do empresário em São Paulo.

O grupo MAM, batizado com as iniciais de Mansur, é acusado de ter sonegado R$ 500 milhões em cinco anos. A PF e a Receita Federal chegaram a esse valor a partir das importações feitas pelo grupo MAM nesse período, de R$ 1,1 bilhão. Como o subfaturamento era em média de 50%, chega-se aos R$ 500 milhões.

Empresas globalizadas, como a Sharp (distribuída no Brasil pela empresa Plena) e a Maxwell, são investigadas pela PF sob a suspeita de utilizarem os serviços do grupo MAM. Responsáveis pela importação de produtos da Sharp e da Maxwell foram apanhados em conversas telefônicas com integrantes do esquema.

A Daslu, a Shoptime, que tem um canal de vendas por TV e Internet, e a rede de lojas de roupas Via Veneto recorriam a Mansur para intermediar suas importações, de acordo com os policiais. Law Kin Chong, empresário preso sob acusação de contrabando, também era freguês de Mansur, diz a PF.

Batizada de Dilúvio, a operação da PF em conjunto com a Receita Federal foi a maior já realizada pelas duas instituições no País. Foram mobilizados 950 policiais e 350 servidores da Receita. Pela primeira vez, a PF e a Receita conseguiram enviar delegado, agente e auditor fiscal para fazer diligências em Miami, no sul dos EUA.

A ação nos EUA foi feita em conjunto com o Department of Homeland Security ou Departamento de Segurança Interna (DHS), com autorização da Justiça daquele país. Dois brasileiros foram presos em Miami: Adilson Tadeu Soares e Márcio Campos Gonçalves. Eles dirigiam as empresas Feca e All Trade em Miami, usada pelo grupo MAM para cometer as supostas fraudes. A PF informou que os dois haviam tomado um avião a caminho do Brasil ontem.

O próprio Mansur controlava o braço dos negócios em Miami, de acordo com a PF. Ele importava computadores, carros, material cirúrgico, equipamentos gráficos e CDs por preços subfaturados. As empresas que intermediavam as compras nos EUA, a All Trade e Feca, e remetiam o material para o Brasil eram teleguiadas pelo empresário, diz a PF. “Há provas documentais de que o grupo MAM controlava essas duas empresas nos EUA”, disse o delegado da PF Paulo Vibrio Jr., que iniciou as investigações sobre Mansur em Paranaguá (PR) há dois anos. Havia uma terceira empresa nos EUA que maquiava os preços, chamada System Trade Corp.

Num exemplo hipotético, a Feca adquiria um computador por US$ 1.000 em Miami e o enviava para o Brasil como se tivesse pagado US$ 500 por ele. A diferença era enviada aos EUA por meio de doleiro ou de conta CC5 (criadas para quem precisasse fazer remessas legais). As notas de importação com os valores subfaturados eram falsificadas no Brasil.

As empresas de Mansur já haviam sido apanhadas em outras três operações da PF, entre as quais a Narciso, que resultou na prisão de Eliana Tranchesi, dona da Daslu.