10 de julho de 2026
Geral

Semelhante a ritual indígena, alunos se despedem de árvore

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

Mais do que demonstrar a preservação da cultura indígena e do meio ambiente, os alunos da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Chapeuzinho Vermelho, localizada na Vila Ipiranga, deram um exemplo de amor à natureza, ontem de manhã.

Em ritual que lembra os indígenas, eles fizeram um círculo ao redor de uma árvore na escola e despediram-se dela, antes que fosse derrubada. Também agradeceram pela sombra que ela os proporcionou por anos e pediram perdão por ter que cortá-la. A árvore da espécie Acácia tinha aproximadamente 50 anos e seus troncos secos ofereciam risco à escola, por isso, foi retirada por funcionários da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).

A professora Gislaine Fontanari define o ato como uma cultura à paz. “As crianças dão importância à natureza e sabem que a sombra e a madeira da árvore são muito úteis”, diz. Antes da aula começar, os alunos reúnem-se todos os dias em volta de algumas árvores dentro da escola. Contando com essa, duas já foram removidas. No lugar, as crianças ajudaram a plantar outra.

A escola desenvolve ao longo do ano três projetos, sendo que um deles preserva a cultura indígena. “Os índios só cortam as árvores para usar a madeira para construir casas ou canoas. Eles não o fazem por motivos fúteis”, argumenta a professora.

Outro projeto aborda a preservação do meio ambiente. Desenvolvido há aproximadamente 15 anos, as crianças aprendem a reciclar. Elas trazem de casa lixo orgânico (de alimento) para ser utilizado como adubo. Nos fundos da escola, em dois latões, os alunos fazem compostagem do lixo. O material é usado na horta – feita por eles mesmos – e para o crescimento das árvores. “Temos ex-alunos que até hoje trazem lixo orgânico para a escola”, conta a professora.

As alunas Beatriz Francieli Dias, Paula Nogueira e Ester Caroline da Silva vão guardar na memória o ritual de adeus à árvore. “Ela estava sem folhas, já estava velha”, lembra-se beatriz. Caroline ficou com dó, mas concordou que a árvore deveria ser cortada. “Sempre dávamos água para a árvore, mas ela morreu mesmo assim”, disse. Ester também compadeceu-se. “Gostava da sombra da árvore. Vamos plantar outra”, prometeu.

Os funcionários da Semma fizeram o corte dos galhos. Segundo eles, a árvore estava descascando muito, o que mostra que já estava morta. A escola tem aproximadamente 300 alunos entre 3 e 6 anos.