Apesar de ter passado dos 60 anos, o técnico da Seleção Brasileira Feminina de Basquete, Antônio Carlos Barbosa, candidato a deputado estadual pelo PMDB de Bauru, afirmou que entrou na disputa porque o quadro político “carece de gente nova”. Mas ele mesmo explica: “Não nova na idade, mas na política”. Esse deve ser o tom da campanha de Barbosa, na briga por uma vaga na Assembléia Legislativa.
Segundo ele, essa renovação é fundamental para que a população volte a confiar nos políticos. “Eu vi que o cenário político carecia de alguém novo na política, com experiência de vida e que pudesse ter condições de representar a cidade”, salientou. Com base nisso, Barbosa faz uma crítica velada às pessoas que costumam criticar, mas não disputam eleições para tentar mudar alguma coisa. “Sei que há outras pessoas comprometidas com a cidade que poderiam tomar a mesma atitude que eu, mas com certeza têm outros afazeres que as impedem de se doar”, comentou.
Disputando uma campanha eleitoral pela primeira vez, Barbosa definiu a eleição como “uma empreitada pesada”. Em 2004, o técnico da Seleção Brasileira Feminina de Basquete chegou a entrar na disputa para a Prefeitura de Bauru, mas desistiu da candidatura e apoiou o atual prefeito Tuga Angerami (sem partido).
Na ocasião, o técnico da seleção seria o candidato a vice do ex-prefeito Antônio Izzo Filho, que tentava voltar ao Palácio das Cerejeiras. Com a impugnação da candidatura de Izzo, Barbosa foi escolhido para assumir a campanha em seu lugar, mas não foi até o final da disputa, pelo mesmo motivo que não tem feito campanha nas ruas de Bauru: os compromissos com a seleção de basquete feminino.
Sem tempo
As dificuldades em conciliar o tempo entre a seleção e a campanha já fizeram Barbosa pensar em desistir da candidatura a deputado, já que na maior parte dele está ocupado com a seleção, conforme já mostrou o JC, em reportagem publicada na semana passada. “Se fosse por disponibilidade de tempo eu não teria condição nem de pensar em ser candidato este ano. Em determinados momentos, considero uma loucura essa minha atitude”, disse.
As afirmações de Barbosa deixam uma pergunta no ar: se for eleito, como vai conciliar a vida de técnico com a de deputado? Mesmo deixando essa pergunta sem resposta, ao falar das propostas que pretende defender caso seja eleito, Barbosa deixa claro que já fez a opção por se tornar deputado. “A gente tem que se doar pela cidade, fazer alguma coisa pela comunidade em que você vive”, frisou.
Propostas
Antônio Carlos Barbosa não economiza quando fala o que pretende fazer se for eleito deputado estadual. Criticando a mesmice de candidatos que falam em saúde e educação, o peemedebista aposta no esporte como foco de seu mandato. “Com exceção de João do Pulo, que foi deputado estadual na década de 1980, nós nunca tivemos um esportista na Assembléia Legislativa”, disse.
Ele explica que quando se refere a esportistas, não está falando de políticos que “encostam” em clubes de futebol e se elegem. “É o esportista mesmo, que a vida está dentro da quadra, da pista. Este sabe as reais necessidades que tem um jovem”, afirmou.
Para o candidato, conforme os investimentos no esporte aumentam, são criados programas esportivos continuados para tirar a criança e o jovem das ruas, o investimento em segurança pública poderá ser menor do que é atualmente. “Na medida em que você tira o jovem da rua, você diminui a criminalidade em curto e médio prazo”, ressaltou.
Outro ponto que Barbosa destacou como importante é a defesa do funcionalismo público, que segundo ele, tem sido vítima de “um verdadeiro achaque” por parte do governo. Para o candidato, as gratificações oferecidas pelo governo são uma forma de burlar o funcionário que tem tempo de serviço.
“Às vezes você pega o holerite do funcionário e ele tem um salário de R$ 2.000,00, mas o salário-base é R$ 500,00. Eu não vejo um deputado levantar para defender o funcionalismo público”, salientou.
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Só desta vez
De acordo com Antônio Carlos Barbosa, as pretensões políticas dele não passam de 2006. Para o candidato, a chance de trabalhar pela comunidade, através da política, está na eleição deste ano. Barbosa afirmou que não pretende disputar as eleições municipais de 2008, caso não seja eleito deputado estadual. “Não está nos meus planos ser candidato a prefeito”, disse.
Para ele, as dificuldades de uma eleição municipal são muito maiores do que para deputado. “Uma campanha para deputado é mais fácil porque é um voto pessoal. Você vota na pessoa e não tem muito o que discutir, não tem debate, não tem comício, não tem aquele acirramento de uma eleição de prefeito”, ressaltou. “Se você não tiver uma estrutura familiar e muito dinheiro, você não banca uma campanha para prefeito”, concluiu.